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Sucesso
As
múltiplas faces de Siron Franco
O artista plástico recorreu aos chás alucinógenos para sair da depressão
e não tentar mais o suicídio. Hoje transforma sua angústia em obras
de arte, apreciadas na Europa e nos Estados Unidos
Cecília
Maia e André Barreto
| Felipe
Barra |
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| Siron:
“Tentei o suicídio três vezes e bati oito carros’’ |
Sob
o olhar contemplativo do artista, uma lagarta parou no centro do
seu ateliê, instalado numa chácara nos arredores de Goiânia. Ela
começou a tecer um casulo em torno de si.
Horas
se passaram até que o pequeno inseto sumiu dentro da própria obra.
Da cena gravada por uma filmadora doméstica nasceu uma das últimas
criações de Siron Franco, 53 anos. Casulos, que já rodou parte do
planeta e chegou recentemente de Londres, na Inglaterra, está a
caminho de Miami, nos Estados Unidos.
“Vivo
enclausurado dentro do que crio”, diz ele. O mergulho em seu próprio
casulo não foi por acaso. O artista plástico abandonou os rompantes
de ansiedade e de intranqüilidade que sofria desde garoto, época
em que conheceu pesadelos intercalados com noitadas de insônia.
“Aos 20 anos eu era muito doido”, conta Siron Franco. “Tentei o
suicídio três vezes e bati oito carros. Mas consegui desviar essa
inquietude para o meu trabalho.”
É verdade.
A inquietude pode ser apreciada em suas criações. Para se ter idéia,
até há pouco tempo a ansiedade era tão incontrolável que quando
alguma idéia lhe vinha à mente era capaz de largar todos os compromissos,
pegar um avião de onde estivesse para materializar os pensamentos
em seu ateliê em Goiânia.
Diante
da agonia em chegar logo no cerrado do coração do
País a cada volúpia artística, Siron arrumou
uma solução. Montou outros redutos de trabalho em
São Paulo e Salvador. A idade também já
me deu mais tranqüilidade, diz.
| Felipe
Barra |
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| O
artista e sua instalação contra a violência no trânsito |
PALPITES
POLÍTICOS Mas não foi só. Entre 1992 e
1994, o artista se escorou no consumo de daime, chá de ervas
alucinógenas que leva a pessoa a uma viagem espiritual,
como costuma dizer. O daime me deu equilíbrio. Hoje
só tomo de vez em quando.
Essa
fase crítica na carreira coincidiu com um drama familiar.
Seu filho mais velho, André, hoje com 30 anos, era dependente
de drogas. Foram seis anos de martírio, mas tudo está
acabado e enterrado, sentencia. O jovem se recuperou e agora
mora nos Estados Unidos.
André
nasceu do primeiro casamento, com Goiaci Milhomen, assim como Erika,
28, e Jean, 26. A segunda esposa, com quem Siron vive há
19 anos, é a ex-modelo Rosana Rattis. O casal teve Nina Rattis,
15, baterista de um conjunto de rock chamado Banda Estúdio
UQ.
O
dom para as artes surgiu cedo. Tinha apenas cinco anos quando começou
a desenhar. Com 13, mostrou os trabalhos a um professor de artes
da Universidade Católica de Goiânia e conquistou o
direito de ser aluno ouvinte da faculdade. Ganhou todos os prêmios
nacionais, ultrapassou as fronteiras e hoje é um dos artistas
plásticos brasileiros mais conhecidos no mundo.
Tem
mais de três mil obras produzidas entre pinturas, esculturas,
desenhos, retratos e gravuras. Siron diferencia-se dos demais artistas
plásticos por dar palpites sobre problemas brasileiros através
de seu trabalho. Assim foi quando expôs, na frente do Congresso
Nacional, 20 caixões infantis pintados de verde, azul e amarelo
formando a bandeira do Brasil, num grito contra o alto índice
de mortalidade infantil.
Em
outra ocasião, Siron Franco arrancou gargalhadas ao montar
uma ratoeira gigante na qual o queijo era um mapa do Brasil, na
época do impeachment de Fernando Collor. Recentemente o artista
plástico organizou milhares de carrinhos de brinquedos, distorceu
suas formas e montou a bandeira nacional. Foi assim que ele tratou
da violência no trânsito nas metrópoles brasileiras
Não faço política partidária,
mas gosto de dar meu recado.
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