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Mergulho num mar de lama
Rafael de Nicola
Ele trocou os cardumes de peixes pelas fossas, lama e águas contaminadas, e recebe R$ 5 mil por serviço, em que põe a vida em risco diariamente

Gustavo Maia

Piti Reali
Rafael, com a roupa especial, ao lado do rio Pinheiros, em São Paulo

Especializado em mergulhos de risco, Rafael De Nicola, 40 anos, se parece com o astro hollywoodiano George Clooney, trabalha como McGiver, mas passa os dias submerso em fossas, lama e resíduos tóxicos. Tudo pelo “ganha-pão”.

Limpar bombas de água, buscar peças perdidas e até encontrar cadáveres são tarefas do cotidiano do mergulhador, que fatura até R$ 5 mil por dia de trabalho.

Quando tinha 11 anos, Rafael De Nicola era uma espécie de office-boy de barcos especializados em mergulho na costa paulista. Nas horas livres, pedia para ser amarrado a uma corda e submergia a dois metros de profundidade. “Eles me deixavam afundar cinco minutos por dia”, lembra.

Quase três décadas depois, olhar os cardumes de peixes e os arrecifes de corais já não encanta mais. “Precisava de um novo desafio”, conta.

O salto do mar para o esgoto aconteceu quando tinha 20 anos. Naquela época, a fonte de renda vinha das aulas de mergulho. Foi quando aceitou convite de uma estação de tratamento de água para executar um serviço especial. Rafael teria de mergulhar num ambiente contaminado por fezes e urina para abrir uma comporta. Apesar da situação pouco confortável, a remuneração era boa. Aceitou a missão. “Não tive nojo. Tomei gosto por mergulhar na merda”, brinca.

A partir daí não parou mais e fez cursos no Exterior para aprender novas técnicas. Tornou-se o primeiro brasileiro especializado nesse tipo de trabalho, e investiu o capital no equipamento necessário.

O aparato para o serviço é caro, pesado e obrigatório. “O contato direto com algumas substâncias pode ser fatal. Sem falar nas inúmeras doenças como a leptospirose e infecções de pele, existentes no esgoto”, afirma o médico sanitarista Emílio Telesi Jr., da Unicamp.

A roupa isolante é feita de borracha vulcanizada, pesa sete quilos e custa US$ 1,8 mil. O capacete, de 14 quilos, vale US$ 5,5 mil. “Dentro d’água fica leve, mas fora, durante a limpeza, fica difícil segurar a cabeça”, conta.

Obstáculos não faltam. Alguns mergulhos chegam a durar quatro horas. Nesses casos, Rafael mergulha usando uma fralda geriátrica para urinar. O processo de descontaminação dura duas horas e meia, repleto de lavagens e desinfetantes.

Hoje, além de estar escrevendo um livro sobre a prática em águas contaminadas, ele ensina novos aventureiros da lama numa escola particular, em São Paulo. Ao todo, possui 25 alunos. “Não os deixo fazer alguns serviços. Até eu tenho problemas às vezes.”

PERIGO DE VIDA Um deles aconteceu na construção de um edifício em São Paulo, há cerca de três anos. Rafael deveria mergulhar em um fosso de lama para ligar um cabo de aço. Quando estava submerso e sem nenhuma visibilidade, houve um problema com o ar comprimido, enviado da superfície.

A equipe tentou puxá-lo e a mangueira de ar acabou presa sob uma laje, contendo sua subida. “Não sabia se estava de pé ou de ponta-cabeça”, lembra. Quando afrouxaram a mangueira, foi retirado da lama. “Meus joelhos começaram a bater pela adrenalina. Depois passei alguns minutos num canto, pensando na minha família”, diz.

A reflexão é válida. Casado e pai de dois filhos pequenos, Rafael tem duas preocupações. A primeira é com a morte. E a segunda é com o zelo de não levar qualquer doença ou contaminação para dentro de casa. Enquanto não forma um pupilo à sua altura, ele segue perseguindo o perigo sozinho. No currículo leva, além dos vinte anos de experiência, nenhuma espécie de intoxicação e o prazer pelo risco. “Não tenho medo. O medo a gente controla”, completa.

Fotos: Reprodução
As missões impossíveis
Rafael sobe as escadas de uma estação elevatória da Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. A missão era em águas limpas, portanto ele não utiliza os trajes especiais (1). Ele deixa um tanque de efluentes (esgoto químico) numa refinaria em Paulínia. A roupa especial e o capacete protegem o mergulhador de doenças e intoxicação (2). Depois de deixar o tanque, Rafael passa pela descontaminação, que dura duas horas e meia (3).

 

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