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Política

Tal pai, tal filho
Carlos Bolsonaro, 17 anos, o vereador mais jovem do País, defende a pena de morte, tortura para traficantes e acha que os sem terra são vagabundos. Se ele passar no vestibular, trabalhará apenas à tarde na Câmara do Rio

Luís Edmundo Araújo

André Durão
O mais jovem vereador na Câmara do Rio de Janeiro

O vereador mais jovem da história do Brasil defende a pena de morte, a tortura para traficantes de drogas, acha que os integrantes do Movimento dos Sem Terra não passam de vagabundos e faz piada da proposta de legalização da união civil entre homossexuais.

Qualquer semelhança com a cartilha de idéias do polêmico deputado federal e ex-militar Jair Bolsonaro, do PPB, não é mera coincidência.

Prestes a completar 18 anos, no dia 7 de dezembro, Carlos Bolsonaro sabe que se elegeu às custas do pai e admite, sem qualquer constrangimento, que não terá autonomia na Câmara do Rio. “Falarei com meu pai antes de tomar qualquer decisão importante.”

Eleito com um total de 16.053 votos, Carlos desbancou figurões do seu partido como o cantor Agnaldo Timóteo, mas só vai dar expediente na Câmara na parte da tarde.

As manhãs serão reservadas para a faculdade de Direito, que o calouro na política espera freqüentar a partir do ano que vem. “Estou estudando para o vestibular.” As aulas, no entanto, não vão deixar o gabinete vazio. “Às segundas e sextas, darei expediente no Rio. Em Brasília, ficarei às terças, quartas e quintas”, revela Bolsonaro, o pai.

O deputado é o primeiro a reconhecer a imaturidade do filho e já tomou algumas providências para evitar desastres. Entrevistas de Carlos, por exemplo, só ao lado dele. “O garoto ainda é inexperiente. Pode ser induzido a falar alguma besteira”, justifica.

Antes da campanha foi o deputado quem se desdobrou para conseguir o registro da candidatura do filho. Ele só relaxou ao constatar, numa consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, que o candidato precisa ter 18 anos ou mais no dia da posse, mas não para se eleger.

Segundo dos quatro filhos de Jair Bolsonaro, Carlos aceitou de imediato o posto de representante do deputado na Câmara carioca. “Como um político que quer sempre evoluir, meu pai necessitava de alguém aqui no Rio”, diz. O filho vai assumir o lugar que era da mãe, a vereadora Rogéria Bolsonaro.

Eleita em 1996 com o apoio do então marido, Rogéria irritou o deputado ao deixar de consultá-lo para votar alguns projetos. O casal acabou se separando e, depois de muita briga pelo uso do sobrenome, Rogéria saiu candidata pelo PMDB. Sem o apoio do ex-marido, porém, não se reelegeu.

André Durão
Com o pai (à esq), o deputado federal e ex-militar Jair Bolsonaro, do PPB

Além de Carlos, Bolsonaro é pai de Flávio, 19 anos, e Eduardo, 16 – ambos do casamento com Rogéria, 40 – e de Renan, 2, seu filho com Ana Cristina Valle, 32 anos.

Flávio e Eduardo moram com a mãe enquanto Carlos vive com o pai, a madrasta e o irmão caçula, num apartamento na Tijuca, Zona Norte do Rio.

O vereador eleito diz que a fama de autoritário e o jeito truculento do pai só aparecem fora de casa. “Ele sempre foi liberal com a gente. Totalmente brincalhão e atencioso.”

Carlos nunca apanhou, mas já recebeu alguns castigos tipicamente militares. “De vez em quando, mando ele fazer algumas flexões”, conta o deputado, sem esconder o riso. O filho também ri. Para ele, o pai nunca está errado. “O que ele diz é sempre válido.”

E o que Jair Bolsonaro diz quase sempre causa polêmica. Ele já defendeu, por exemplo, o fuzilamento do presidente Fernando Henrique Cardoso e é a favor da tortura para conseguir informações de traficantes. “Se pegam um cara com 500 quilos de cocaína, têm de saber de onde veio a droga e para onde vai, não importa como tirar essa informação.”

Sobre a proposta de união civil entre homossexuais, o deputado reforça o preconceito. “Jamais iria admitir dar de cara com dois bigodudos se beijando”, diz. Ao seu lado, o filho limita-se a cair na gargalhada.

Tanta submissão, no entanto, não impede que Carlos tenha suas pretensões políticas. O mais jovem vereador do Brasil diz que pretende continuar na vida pública. “Está no sangue.”

Sua primeira medida será manter, no gabinete, um advogado criminalista para defender policiais militares processados. Quem fala sobre isso, porém, é o pai. “Muitas vezes, o PM prende um vagabundo, mas o advogado do preso chega antes na delegacia. Aí o policial acaba sendo processado”, diz Jair Bolsonaro. Graças a posições como essa, Carlos não pensa duas vezes antes de apontar seu ídolo na política. “É meu pai, não tem mais ninguém.”

 

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