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Franz Weissmann, 89 anos

As aventuras do escultor
O artista austríaco que trocou o curso de pintura pelo de arquitetura com medo de que duvidassem de sua virilidade, foi agricultor e trabalhou na lavoura de algodão

Vivianne Cohen

Leandro Pimentel; Reprodução
Disposto, Franz Weissmann não pensa na aposentadoria. Ao lado, em foto de 1925

O escultor Franz Weissmann aceita qualquer desafio. Ele é capaz de passar o dia inteiro enfurnado no próprio ateliê, em Ipanema, sem ver o tempo passar. É lá, entre um cigarro e outro, que o artista produz os protótipos das esculturas.

O produto dessa vitalidade é a pequena mostra em cartaz na galeria Anna Maria Niemeyer, no Shopping da Gávea, no Rio. O artista é considerado a estrela brasileira dos espaços públicos. Suas obras estão espalhadas em todo o País, mas é entre os cariocas que faz mais sucesso.

A peça instalada em frente ao Real Gabinete Português de Leitura, no centro da cidade, é uma das mais importantes. Recebeu o nome de Retângulo Vazado. “Não é fácil ser escultor no Brasil. O material é muito caro”, diz Weissmann, que hoje só trabalha em aço e não mais com argila e barro.

Se hoje Weissmann consegue viver de suas esculturas, que chegam a valer de R$ 30 mil a R$ 200 mil, antes foi até agricultor. Austríaco, ele migrou para o Brasil aos 10 anos. Karl, o pai, sofria perseguições políticas por ser favorável à social-democracia naquele país.

Weissmann deixou a cidade de Knittelfeld, próxima a Viena, e embarcou num navio italiano rumo a São Paulo. Tinha a companhia dos pais e três irmãos. Ao atracar no porto de Santos, a família adquiriu terras e passou a cultivar o plantio de algodão, na divisa do São Paulo com Paraná. “Eu trabalhava o dia inteiro na lavoura”, relembra.

Fotos: Reprodução

Com a família reunida (1), e a turma da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio (2)

Aos 16 anos, Weissmann sustentava-se financeiramente dando aulas de português para imigrantes. Nessa época, já seduzido pela pintura, ele teve de adiar a realização profissional por alguns anos.

Com a morte do pai, em 1933, os irmãos assumiram a administração da fábrica de carrocerias para ônibus que a família tinha no Rio.

Ao terminar os estudos no colégio, mais uma vez o sonho foi postergado. Temendo que desconfiassem de sua virilidade, Weissmann matriculou-se no curso de Arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. “Pintor não era profissão de homem”, diz.

Mesmo depois de trocar o curso de Arquitetura pelo de Escultura, não ficou satisfeito. Acabou abandonando a conceituada escola. “Eu só queria desenhar com carvão e os professores não gostavam. Queriam tinta ou lápis”, conta. Outro descontentamento eram as aulas com modelos vivos. “Eu só aprendia a copiar e não a criar”, justifica.

Viúvo e pai de dois filhos, a historiadora Waltraud e o psicólogo Manfrid, Weissmann foi amigo de Guignard. Conheceu o pintor em Belo Horizonte, para onde se mudara em 1945. A convite do artista, foi convidado para lecionar Desenho e Escultura na primeira escola de arte moderna da cidade, o curso de Belas Artes Guignard, recém-inaugurado pelo então prefeito Juscelino Kubitschek. “Guignard me ajudou muito”, conta.

Em 1956, Weissmann se naturaliza brasileiro e retorna ao Rio. Lá, monta o ateliê na fábrica de carrocerias da família. No ano seguinte, teve seu ateliê de Belo Horizonte confiscado pela polícia, que queria transformá-lo em cadeia. As obras foram destruídas e, diante da resistência, o artista foi encarcerado por desacato à autoridade. “Fiquei preso no meu próprio ateliê”, lembra. Já gozando de prestígio, é solto logo depois.

Fotos: Reprodução

 
Na Escola de Arte Moderna, do Rio (3). Em Madri, com João Cabral de Melo Neto, sentado à esq.(4)

EXPULSO DE CASA Dois anos mais tarde, ganhou uma bolsa de estudos concedida pelo governo brasileiro, como prêmio no VII Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio. Ficou dois anos conhecendo a Europa, África e Ásia.

Em 1961, foi morar em Paris, num apartamento emprestado pelo escultor Frans Krajcberg. Ao retornar de uma viagem, o amigo o expulsou de casa, depois de ficar assustado com os papéis pretos amassados com que Weissmann cobriu as paredes. “Ele ficou tão irritado que não quis nem ouvir a minha explicação”, diz.

Sem moradia, mudou-se para Irún, uma aldeia espanhola de pescadores, na fronteira com a França. “Assim que cheguei à aldeia, me mandaram abrir a bolsa e só tinha papel preto. Acharam que fosse contrabando”, lembra.

Alugou uma casa ao lado da do escultor Jorge Oteiza, que conhecera na Bienal de São Paulo. O espanhol organizava reuniões em oposição ao regime ditatorial do general Franco. “Gostava de assistir por curiosidade”. Na época, realizou mostras individuais em Madri e Roma. Em 1965, retornou ao Brasil e passou a viver com a crítica de arte Maria Eugenia Franco.

A idade não é um fardo para Weissmann. Embora lhe falte força física para dar forma às figuras na máquina de aço, que outrora manejava, ainda lhe sobra energia para criar. Hoje, ele diz que consegue se manter com os dividendos de seu trabalho. “Só quero o necessário para poder trabalhar.” E garante: “Ainda é cedo para parar”.

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