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Superação

O ouro do Brasil em Sydney
Ao contrário da delegação oficial, os atletas da equipe paraolímpica, reservada a portadores de deficiência, chegam à Austrália como favoritos

Carlos Henrique Ramos

Quem disse que o esporte brasileiro não vai ganhar o ouro em Sydney? Desta vez, a missão pertence à delegação de 65 atletas que disputará a 11ª edição das Paraolimpíadas — a competição reservada a portadores de deficiência física, visual ou mental.

De 18 a 29 deste mês, eles vão correr, nadar, pedalar e lutar nas mesmas instalações que serviram de palco para os Jogos Olímpicos. Homens e mulheres freqüentarão os ginásios, arenas e campos que testemunharam o fracasso da delegação olímpica tradicional que, apesar de contar com 205 pessoas e ter um orçamento de R$ 23 milhões, conseguiu apenas 12 medalhas (seis de prata e seis de bronze).

Os dirigentes da nova turma de atletas antecipam o sucesso. “Vamos aumentar o número em relação a Atlanta”, afirma o advogado e deficiente visual Vital Severino Neto, 49 anos, secretário-geral do Comitê Paraolímpico Brasileiro. Quatro anos atrás, foram 21 medalhas — duas de ouro, seis de prata e 13 de bronze.

Gente ouviu o depoimento de quatro atletas que estarão na Austrália. São apostas ao pódio paraolímpico. O nadador Danilo Glasser acertou o relógio biológico pela televisão. Adaptou-se ao fuso horário varando as madrugadas. “Fiquei um pouco decepcionado”, admite, ao comentar o fiasco verde-amarelo. Aldimar Lemos, da seleção de basquete, encantou-se com as instalações olímpicas. O corredor Aurélio Guedes dos Santos e o judoca Antônio Tenório, ambos deficientes visuais, aguardam o momento de entrar em ação. “Não é fácil competir, vencer os adversários e superar a nossa própria deficiência”, declara Danilo.

As braçadas poderosas de Danilo Glasser
Fotos: Edu Lopes

Um dos grandes favoritos ao ouro é o nadador Danilo Glasser, 23 anos. Vítima de osteomielite (infecção na cabeça do fêmur), a perna esquerda dele é 14cm mais curta que a direita, cuja função é garantir flutuação e direção.

Força e velocidade vêm das braçadas. Foi com elas que ganhou o título mundial dos 50 metros. E é através delas que o atleta de Americana (SP) espera atingir seu maior objetivo: competir, lado a lado, com Fernando Xuxa Scherer e Edvaldo Valério, medalha de bronze na prova do revezamento em Sydney.

Para isso, basta alcançar o tempo de 25 segundos (já cravou 25,59 segundos), que assegura a classificação para o Campeonato Brasileiro de 2001. “Seria a glória completa. Posso até chegar em último, mas o que isso importa?”


O cérebro da equipe

Aldimar Lemos, 31 anos, encontra certa dificuldade para ler e escrever. Mas esse leve rebaixamento intelectual desaparece quando avista uma bola de basquete. Com 1,81m e 75 quilos, ele é o armador da seleção brasileira. Cabe ao atleta comandar a equipe, iniciar as jogadas, dar assistência aos companheiros e encontrar o melhor momento para arremessar. “Sou um excelente ladrão de bola”, diz.

Nascido em São Paulo, casado e pai de Jonathan, 4 anos, o craque trabalha numa empresa que presta serviço para uma montadora. Lá, separa os ingredientes e prepara sanduíches. Fora dali, freqüenta o programa esportivo da Apae. Foi na escola especial que apurou a técnica e foi convocado para estar em Sydney.

E, quando se imagina em ação no Super Dome, ginásio com capacidade para 25 mil pessoas e que abrigou as finais olímpicas da modalidade, Aldimar perde o sono. E fantasia as arquibancadas lotadas e o brilho da medalha de ouro no seu peito. “A gente corre, arremessa e faz cesta atrás de reconhecimento, mas a nossa maior vitória é estar aqui.”


O homem das grandes distâncias

Aurélio Guedes dos Santos, 37 anos, teve de madrugar para chegar às Paraolimpíadas. Em 1987, ele praticamente perdeu a visão depois de um acidente automobilístico. Com o nervo óptico dilacerado, passou a enxergar apenas a meio metro de distância dos objetos. “Corria nas primeiras horas da manhã para não trombar com os carros e as pessoas”, explica.

Os treinos na madrugada garantiram a vaga para as provas de 5 mil e 10 mil metros, além da maratona. Em Sydney, Aurélio terá um guia. Francisco José da Silva (deitado na foto) vai acompanhá-lo nas três provas, com a missão de informá-lo sobre a posição, a distância percorrida e de abastecê-lo de água. No retorno ao Brasil, o atleta parte para mais um desafio: o casamento.

Solteiro e sozinho, o funcionário da Secretaria de Cultura de Marília (SP) está convencido de que precisa correr atrás de um grande amor. “Faço tudo dentro de casa, ela não precisa se preocupar com nada”, diz. Reconhece, contudo, que o mais difícil é encontrar a eleita. “Paquerar é impossível”, brinca com o próprio destino. “Minha maior arma é o diálogo e depois o toque. Mas eu não sou daqueles que usa a deficiência para se aproveitar das mulheres.”


O judoca sonha com a Feiticeira

Antônio Tenório alimentava uma paixão platônica pela atriz Vera Fischer. Era seu tipo de mulher ideal. Em 1990, um descolamento de retina tirou-lhe 100% da visão. A imagem da atriz permanece na memória, mas nos últimos tempos sofre a concorrência de Joana Prado, a Feiticeira. Ele a idealiza como um mulherão. Com as informações passadas pelos amigos, ele recria a personagem. “A imaginação é meu maior bem”, diz. E é mesmo.

Casado, 29 anos, o judoca conheceu o primeiro filho só até os seis meses. O segundo, nunca viu. Da mesma maneira que não enxerga os adversários no tatame. Bem-humorado, sorridente e divertido, o judoca, atual campeão paraolímpico da categoria médio (81 a 90 quilos), treinou com Carlos Honorato, medalha de prata em Sydney. “Tenório impõe respeito”, avalia Honorato. É com esse instinto que buscará o ippon e a segunda medalha de ouro. Em homenagem à mulher, aos filhos e às musas.

 

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