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Carreira

Regina Casé – A revanche vem do sertão
Tirada do ar na Rede Globo, a atriz dá a volta por cima no cinema com o sucesso de bilheteria de Eu Tu Eles, assistido por mais de 700 mil pessoas no País e com chances de ir para o Oscar

Paula Quental

André Durão
"Adoraria ter três maridos, mas dá um trabalho incrível. Duas pessoas dentro de casa já é uma multidão"

Certa vez, Regina Casé e Guel Arraes, apresentadora e diretor do antigo Programa Legal, passaram o dia gravando numa favela no bairro de Tomás Coelho, no Rio de Janeiro. Fazia calor e Regina aceitou o convite de duas jovens para esticar as pernas no barraco delas.

Jogaram conversa fora, beliscaram sardinhas e em minutos a atriz estava dormindo no sofá-cama da sala, com o rosto colado no forro de plástico. A cena, que impressionou Guel – “não durmo nem na casa de amigos, imagina na de quem conheci há dez minutos!” – é corriqueira para Regina.

Foi com esse jeito sem-cerimônia que ela conquistou milhões de brasileiros à frente do Programa Legal, do Brasil Legal e mais recentemente do Muvuca, num total de 10 anos em horário nobre na Globo. Mas, tal qual a amiga que de tão próxima às vezes incomoda, ela cansou. E o Muvuca perdeu pontos no ibope, até ser retirado do ar pela direção da Globo. No entanto, na pele de Darlene, protagonista do filme Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, Regina conseguiu dar a volta por cima num papel dramático que há tempos reinvindicava.

Na sexta semana em cartaz no País, o longa-metragem já foi assistido por mais de 700 mil pessoas e colhe elogios de crítica e público. E tem chances de ser indicado ao Oscar de melhor produção estrangeira de 2000. Um desempenho assim não se via desde Central do Brasil.

Em duas semanas de exibição, foi visto em todo o Brasil por 180 mil espectadores. Antes da estréia nacional, em 18 de agosto, foi aclamado no Festival de Cannes, na França, em maio, e conquistou o Globo de Cristal de melhor filme no Festival de Karlovy Vary, da República Tcheca. O mesmo festival concedeu a Regina o prêmio de melhor atriz. Uma glória para quem estava há sete anos sem atuar: ela não incorporava uma personagem desde Nardja Zulpério, monólogo com direção de Hamilton Vaz Pereira que ficou em cartaz de 1988 a 1993.

Andrucha conta que pensou imediatamente em Regina quando teve a idéia de fazer o filme, baseado na história real da cearense Marlene Sabóia da Silva, uma mulher que vive com três maridos sob o mesmo teto. “Conhecia a Regina por meio de amigos em comum e sempre a achei espontânea e alegre. Ela congrega as pessoas”, diz o diretor.

André Durão
Regina foi elogiada por Pedro Almodóvar: “Temos que fazer algo juntos”, disse ele

Ele teve a certeza de que havia feito a escolha certa quando a co-roteirista do filme, Elena Soárez, pegou um táxi no Rio e contou a história para o motorista. Este nem hesitou: “É um papel para a Regina Casé”.

Em Cannes, muitos dos que assistiram a Eu Tu Eles perguntaram se Regina não era uma habitante local de Junco do Salitre, a 35 km de Juazeiro, sertão da Bahia, onde o filme foi rodado. “Tenho a aparência e jeito da mulher nordestina e pobre. No Brasil eu sou branca, nos Estados Unidos seria negra”, diz ela.

Diz que recebeu como um prêmio o convite para interpretar Darlene. “Deixei de atuar e fui para a tevê para me aproximar do povo. E foi uma mulher do povo, igual a tantas que conheci nas minhas viagens pelo Brasil, que me trouxe de volta à função de atriz”, diz. Aos 46 anos e 26 de profissão, Regina desconfia de que o sucesso do filme trará novos convites para atuar. “É incrível, tenho recebido vários roteiros para ler”, diz.

Na festa de lançamento do filme, no Rio, ganhou elogios rasgados do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que estava no Brasil em busca de locações para um novo filme. “Temos que fazer alguma coisa juntos”, lhe disse ele. Também a atriz Fernanda Montenegro aplaudiu o desempenho da amiga e lhe deu uma bronca por ter ficado muito tempo longe das telas.

A atriz se delicia com os afagos, mas não se ilude. “Da mesma maneira como pobre só aparece na televisão quando desaba um barraco, a Regina Casé só é protagonista no cinema quando tem uma Darlene para fazer”, acredita. Atuou como coadjuvante em outros 13 filmes, entre eles Chuvas de Verão, de Cacá Diegues, e Os Sete Gatinhos, de Neville D’Almeida, ambos em 1977, e Cinema Falado, de Caetano Veloso, em 1986.

Também fez participações em duas novelas da Globo antes de fazer sucesso em TV Pirata, a partir de 1988. “Trabalhar com a Regina é ótimo. Ela é generosa. Me deixou de bem com o cinema novamente”, diz Stênio Garcia, que em Eu Tu Eles interpreta Zezinho, um dos maridos de Darlene.

CHATA À EXAUSTÃO Além de atuar, Regina produz, escreve, cria. E dá palpites no que os outros fazem. “Regina trabalha como um pedreiro. Nunca a vi tirando férias, dando um tempo em Nova York”, diz o diretor Hamilton Vaz Pereira, que fundou com a atriz, em 1974, o lendário grupo de teatro Asdrúbal Trouxe o Trombone. Além dos dois, o Asdrúbal revelou talentos como Luiz Fernando Guimarães, Evandro Mesquita e Patrícia Travassos. A montagem Trate-me Leão, deu a Regina o Prêmio Molière de melhor atriz, em 1977.

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