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Paulo José

“Uns bebem demais, eu tenho Parkinson”
Portador do mal de Parkinson, o ator diz que voltou à vida depois de conseguir reestrear nos palcos

Rosângela Honor

Leandro Pimentel
“Não temo morrer, mas não viver bem. Depois do 50, saí da garantia”

Desde 1992, Paulo José, 63 anos, não subia ao palco. A atividade teatral foi interrompida quando o ator e diretor gaúcho descobriu que sofria do mal de Parkinson, doença degenerativa ainda sem cura. A exceção foram quatro apresentações do monólogo Eu me lembro, em 1997. “Eu me senti mal com a experiência”, lembra.

Ex-marido de Dina Sfat, Carla Camuratti e Zezé Polessa, e pai de quatro filhos – Isabel, 30 anos, Ana, 28, Clara, 26, e Paulo Henrique Caruso, 20 – ele contou com o apoio de sua atual mulher, a arquiteta e diretora de cinema Kika Lopes, para conseguir vencer o bloqueio.

Há menos de um mês estreou como diretor e ator da peça A Controvérsia, no Teatro Glória, no Rio. Em sua ampla casa no Alto da Gávea, para a qual acaba de se mudar, chama a atenção o piano com partituras de Tom Jobim. No escritório, ainda estão empilhados quadros com cenas dos filmes nos quais atuou, entre os quais Macunaíma e Todas as Mulheres do Mundo.

No quintal da casa, encontra tranqüilidade para fazer sessões diárias de exercícios de relaxamento. Para quem sofre de Parkinson, sua flexibilidade e equilíbrio são surpreendentes. “Parece fácil, mas não é mole não”, diz, diante de um pedido do fotógrafo de Gente para que permanecesse agachado. Há 31 anos na Globo, ele se prepara para fazer a próxima novela das sete e dirigir um longa-metragem sobre o poeta Mário Quintana até o fim do ano.

Teve problemas para voltar ao teatro?
Tive receio de não conseguir. Foi um momento muito penoso para mim. Com a ansiedade, os sintomas do mal de Parkinson se agravam. Eu cheguei a passar mal durante os ensaios e a coisa ficou séria. Convidei a Bel (Kutner) para me sentir mais seguro na hora de atuar. Além da afinidade que temos como pai e filha, temos grande afinidade artística.

Mas você não se preparou?
É, mas com a expectativa da estréia eu pensava: como vou me sair dessa? Afinal, me meti num desafio grande. Quando o Pedro Bial me convidou para dirigir, foi inevitável, não pude recusar. Há tanto tempo não via um texto tão vigoroso, tão bom.

Em que momento achou que não conseguiria?
Quando estávamos a dez dias da estréia. Não conseguia decorar o texto. Na verdade, se me tomassem o texto, eu saberia. Mas na hora de falar, ficava rateando. Isso começou a criar um problema para o espetáculo. Passei a me sentir em dívida com o elenco porque tudo ia bem e parava comigo, me sentia atrapalhando os atores. Aí, pintou a ansiedade.

E como driblou o problema?
Estava ensaiando das 16h às 20h todos os dias. Chegou a um ponto que fiquei estressado. Cancelei um ensaio e dormi o dia todo. Contei muito com a cumplicidade dos atores. No dia seguinte, não me preocupei com a direção, pensei só no personagem e, pela primeira vez, consegui ensaiar bem.

Aumentou a dose dos remédios?
Não, foi só ser rigoroso com a medicação. Como os horários eram malucos, esquecia de tomar os remédios. Tomo doses pequenas o dia todo. Na semana da estréia, consegui sair do buraco negro e comecei a melhorar. Também comecei a me poupar. Até as 16h, não fazia nada. Fui melhorando, mas na estréia ainda entrei mal em cena, com tensão, preso. Só depois é que fiquei mais solto.

O que sentia?
Eu tinha lacunas no pensamento, é um problema neurológico. O Parkinson tem dois sintomas básicos: tremor nas pernas e enrijecimento da língua. Isso prejudicava minha fala, ficava preso. Tinha hiatos. Não sabia se já havia falado determinada frase.

Tem controle sobre os sintomas?
O fato de ter conseguido fazer o espetáculo me deu muita tranqüilidade. Dez dias antes eu achava que seria preciso colocar outro ator no meu lugar. Quando consegui, fui tomado por uma euforia muito grande, uma volta à vida. Eu já tinha desistido de fazer teatro. Em televisão e cinema, dava para dizer: gente, preciso de uma hora para deitar e daqui a pouco volto. Mas no teatro não dá para dizer: “Respeitável público, espere meia hora que eu vou ficar um pouco deitado e daqui a meia hora volto”.

O que faz contra a depressão?
Faço bioenergética e trabalho corporal. Com os ensaios, fiz preparação física e vocal diária. Tenho um professor que vem em casa. Fazemos exercícios, nadamos na piscina. É fundamental cuidar do corpo, já que existe uma tendência de paralisia do lado direito nos portadores da doença. Também voltei a tocar piano.

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