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Olimpíadas

Prata movida à gemada
Tiago Camilo, o cidadão mais ilustre de Bastos, conhecida como a capital brasileira do ovo, conquista o segundo lugar no judô em Sydney

Gustavo Maia

AFP
O judoca vice-campeão

No momento em que o judoca brasileiro Tiago Camilo, 18 anos, colocava os pés no tatame de Sydney, na cidade de Bastos, a cerca de 580 quilômetros de São Paulo, conhecida como a capital brasileira do ovo, seus familiares aprontavam a festa que adentraria a madrugada da segunda-feira 18. “Ele me ligou horas antes e disse que dava para ganhar”, afirma o pai, Luiz Francisco Camilo, conhecido como Chico, o “dono do cartório”.

Apesar da confiança, o ouro não veio. E o menino prodígio ficou com a prata. Porém, a decepção não fez parte daquela noite. Uma carreata, composta pela maioria de seus 30 mil habitantes, rompeu o silêncio do Oeste paulista.

O primeiro telefonema foi para o pai. Depois da derrota para o italiano Giuseppe Maddaloni, Tiago parecia frustrado. “Não deu, pai”, disse. A reação do maior incentivador animou-o. “Para nós você é ouro, meu filho”, respondeu, emocionado. A relação de afeto fica mais intensa quando Chico fala do filho. Tem nele um ídolo.

Nos treze anos de carreira, ele nunca deixou de assistir a uma competição em território nacional. “Lá fora ele vai sozinho. Não dá para bancar”, diz. Nervoso, já discutiu com juízes e treinadores. “Não aceito injustiças”, desabafa. Mesmo sem saber as técnicas do judô, transformava-se em professor. Ele trazia Tiago das aulas e tentava ensiná-lo sobre o tapete da sala. “Ele nunca lutou, mas aprendeu o judô na raça”, relembra a mãe, a secretária Cristina de Oliveira.

O casal está separado desde 1993, mas nunca deixou de se encontrar, em nome da educação de Tiago e dos irmãos Júnior, 20 e Rafael, 10. A tática deu certo. O judoca é tranqüilo. Na escola, não brigava nem levava advertência dos professores. “Sempre foi um exemplo”, conta Cristina. A única briga foi com o irmão Júnior, também praticante da arte marcial. “Depois da agressão, o pai mandou os dois ficarem a noite toda dizendo que se gostavam. Nunca mais aconteceu”, completa a mãe.

Assim como a cidade que o adotou – Tiago nasceu em Tupã, porque Bastos não tinha hospital – o judoca também é pacato e humilde. Nas festas, passava longe das bebidas alcoólicas. Namorada, teve uma no ano passado. Júnior o deixava na casa dela e a mãe ia buscá-lo no fim da noite. “Não dá para namorar. Ele treina muito”, diz Cristina.

Beto Tchernobilsky
A mãe do medalhista vibra ao ver o filho subindo ao pódio olímpico

PNEU NAS COSTAS A rotina de Tiago é a mesma. Mora com o irmão mais velho no alojamento do Projeto Futuro, em São Paulo, e viaja para Bastos todos os finais de semana. Quando chega, pega o skate e vai brincar com o irmão mais novo. Dorme cedo para treinar no dia seguinte.

A preparação é um obstáculo da qual não se queixa. Muito pelo contrário. Enquanto vivia no interior, deixava de dormir em casa para juntar-se aos colegas de judô, que moravam na Academia Bastos, que recebe alunos de todo o País. Construída com o incentivo dos donos das granjas que embalam a economia municipal, o local é o maior da América Latina na modalidade e uma das mais rígidas academias de judô.

Para ingressar lá, o sensei Makakeba, que comanda o lugar, exige cabelos raspados, treinamento exaustivo e o fim das noitadas. Quem volta depois das dez da noite está fora. “Ele gostava daquilo. Corria pela cidade carregando pneus nas costas”, afirma a mãe.

Construído a partir dessa determinação e de algumas gemadas – o coquetel de ovo batido com açúcar – por dia, o desempenho de Tiago não é novidade no meio. “Ele é o melhor judoca brasileiro na atualidade”, disse o campeão Aurélio Miguel, medalha de ouro nas Olimpíadas de Seul (1988) e bronze em Atlanta (1996).

O talento vem de longa data. Primeiro professor, Washington Donomai recorda-se da habilidade do pupilo. “Com 13 anos, ele já me derrubava”, conta. Ao todo foram seis títulos brasileiros, sete paulistas, além do Mundial Sub-20, que faturou aos 16 anos e a medalha de ouro no Mundial da Juventude, em Moscou, conquistada a duras penas no ano passado. Para pagar a viagem de Tiago ao torneio, o pai vendeu o carro da família. Ao todo, Chico calcula ter gasto o valor equivalente ao de duas casas no incentivo aos filhos. “Eles me pagam em emoção”, diz Chico.

Apesar da medalha de prata, a missão de Tiago Camilo está só começando. Aos 18 anos, ele deve ter pelo menos mais três Olimpíadas pela frente. “Não esperávamos essa medalha. A expectativa era que ele chegasse bem em 2004, mas ele se superou nessa”, conta o pai. Acostumado com as dificuldades financeiras, Chico brinca ao definir a conquista do filho. “Ele sabe que é caro. Por isso não viaja de graça. Sempre traz uma medalhinha. Dessa vez foi bom demais”, completa.

 

O drama da triatleta brasileira em Sydney
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“Quando o coordenador da prova falou ao microfone ‘vocês estão nas mãos dos juízes’, minha vida inteira passou pela cabeça como um flash. Depois do tiro de partida, tudo apagou.

Os primeiros 500 metros são os mais pesados. Eu não fui bem na natação. Tomei soco, caldo, cotovelada e teve uma menina que passou por cima de mim, literalmente. Entrei no jogo. Se você for boazinha nessa hora, dança. Não fui desleal em momento algum.

Quando fiz a transição da água para o ciclismo, percebi que estava em desvantagem. No primeiro pelotão, havia sete meninas. Sei que tinha condições de estar lá. No início da primeira volta aconteceu um acidente na minha frente. Eu escapei. No fim da mesma volta, levei uma fechada na curva e o pneu da minha bicicleta tocou na traseira de uma competidora. Quase caí. Na segunda volta bati ombro a ombro com outra atleta. Eu não conseguia ver quem era. Ainda assim, tentei pedir desculpas.

No começo da terceira volta veio o acidente que me tirou da prova. O ritmo era forte. Uma canadense e uma inglesa bateram na minha frente. Não tive como desviar. Fui junto. Quando me dei conta, já estava no chão. Meu capacete teve a parte de trás destruída, foi direto para o lixo. Lembro do paramédico correndo para me ajudar. Eu sentia muita dor no pescoço e na parte de trás da cabeça. Tive medo que algo pior pudesse me acontecer.

Quando me botaram a máscara de oxigênio, estava muito ofegante. Foi nesse instante que entendi tudo. Aí veio o choro de decepção. O Rafael, meu namorado, chegou logo em seguida. Ele estava próximo do local, ao contrário dos meus pais. Eu estava bem, falei para o médico, mas ele me mandou ficar estática. Depois de ser removida numa ambulância para o centro médico, esperei mais de uma hora até que a etapa do ciclismo terminasse para que me levassem ao hospital.

Os australianos são muito rigorosos. Ninguém podia chegar perto. Os meu pais ficaram desesperados querendo me ver, mas nem o Nuzman (Carlos Arthur, presidente do COB) entrou. Tiveram acesso apenas o Marcos Paulo Reis (técnico da equipe de triatlo) e o dr. Granjeiro (médico do COB). Preferi um hospital na cidade porque à vila meus pais não poderiam ter acesso. Chegamos lá por volta das 14h. Fizeram exame geral de pressão, movimentos, reflexos e radiografias da parte superior de meu corpo. O dr. Granjeiro me falou que a parte óssea estava OK. Mas os tendões e músculos tinham sofrido um forte trauma. Nada grave.

Depois de retornar para a Vila Olímpica tomei um relaxante muscular, um banho, troquei de roupa e vi tevê. Queria ficar com meus pais, porque eles tinham alugado uma casa na cidade de Manly. Não deixaram. Muitos atletas foram me visitar e isso foi uma surpresa. Nessa hora pude perceber o espírito olímpico. Agora não posso olhar para trás. É trabalhar para competições que irão acontecer no mês de novembro em Cancún, e tirar férias merecidas em dezembro e janeiro. Isso foi uma fatalidade. Não me considero uma fracassada. Sou vitoriosa por ter estado lá.”

 

 

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