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Por onde anda

A primeira tentação da tevê
Rosa Maria Oropallo, a primeira garota-propaganda da telinha, conhecida como a “tentação do dia” durante quatro anos, quer voltar à tevê como atriz

Cristian Avello Cancino

Silvana Garzaro
Rosa conquistou uma legião de admiradores, entre eles o ex-presidente Jânio Quadros

Na década de 50 ela foi a “tentação do dia”, a “rainha dos fotógrafos”, locutora de rádio e a primeira garota-propaganda da televisão brasileira, inaugurando o filão em que Lolita Rodrigues, Odete Lara e Marília Pera – então “telemoças” – iniciaram suas carreiras na tevê.

Hoje, Rosa Maria Oropallo vasculha o passado de estrela com certa relutância, não revela a idade, diz não saber precisar a data exata de alguns de seus trabalhos. Atende a reportagem, porém, com cativante disposição, mostrando o apartamento onde mora em São Paulo, com o único filho, e os belos objetos de arte e antigüidades que o adornam. “É duro ser pioneira!”, brinca, ao abrir a porta.

Pior mesmo foram os anos que se sucederam ao abandono da carreira, em 1960, “por causa de um namorado”, como conta. “Quando estava na tevê as pessoas me davam roupas, brincos. Depois que saí ninguém mais me deu presentes.”

Rosa Maria começou na TV Tupi, em 1950. Depois de voltar de uma
viagem à Itália, soube por uma amiga que o diretor Edmundo Monteiro (um dos diretores dos Diários Associados, “acima dele só o Chateaubriand!”) procurava uma mulher bonita e charmosa para apresentar um programa. Rosa fez um teste e foi aceita sem saber o que faria.

“Não era como as outras meninas da tevê, eu tinha morado na Europa, estudado culinária, investi em mim!” Deu certo. “Naquela época, acho que os homens não traíam as mulheres. Eles ficavam felizes de ver uma moça bonita como eu visitando a sala deles todas as noites”, conta ela.

Rosa Maria apresentou por quatro anos um quadro em que vendia produtos de vestuário da rede de lojas Marcel Modas. Diante das câmeras erguia, por exemplo, uma calcinha e, depois de falar sobre o produto, com voz lânguida, estacava: “Não é uma tentação?”. “No primeiro dia do programa me enchi de jóias e me vesti muito bem para chegar ao estúdio. Hoje, as moças estão despidas de tudo.”

Mesmo sem mostrar “tudo”, conquistou uma legião de admiradores, como Luiz Gallon, um dos primeiros contra-regras da tevê brasileira, hoje com 72 anos. “Imagine como um garoto de 20 anos se sentia vendo aquela morenaça”, diz ele. “Depois que o programa acabou foi uma pena ela não ser aproveitada.”

DRIBLANDO O ASSÉDIO O ex-presidente Jânio Quadros foi outro que encontrou a “tentação do dia” nos corredores da tevê. Rosa conta que ele tentou conquistá-la, mas ela não lhe deu atenção, driblando o assédio com elegância. “O sex appeal sempre alavancou a comercialização de alguns produtos e minha mãe usou isso com profissionalismo”, diz o filho de Rosa, Roberto Carnicelli, 30 anos, que trabalha com marketing. “Não vejo nada de mais na maneira como a imagem dela foi utilizada.”

Era bonita, sem vaidade, ela diz. Parece conversa. Há alguns anos mandou uma carta para o cirurgião plástico Ivo Pitanguy pedindo uma operação e foi atendida. Esforça-se para parecer jovem e pede para ser fotografada do lado direito, “que é o melhor”.

Rosa Maria gostaria de voltar à tevê, talvez como atriz. Enquanto isso não acontece, estuda inglês e trabalha numa ONG que ensina informática a menores carentes. “Quero conscientizar as pessoas, ajudá-las a perceber que podem mudar muita coisa.” Fala de sua religiosidade o tempo todo. “Ando à procura de como Deus funciona, e acho que descobri. Os pobres rezam muito e continuam pobres. Não é assim que ‘Ele’ funciona”, explica.

Depois mostra alguns recortes de jornais onde aparece promovendo o batom Naná, “o preferido das estrelas do rádio”, e de maiô, como candidata a Miss Objetiva. Rosa venceu, levou o título de “rainha dos fotógrafos” e uma viagem aos EUA, mas não foi. Há dez anos resolveu “corrigir” isso e foi para Miami visitar um irmão. Chegou ao aeroporto com um cartaz onde se lia: “Demorei, mas cheguei!”. Se voltar à tevê, não será pela beleza madura que ostenta, mas pela inteligência. Qualidade cada vez menos comum entre as musas da telinha.

Fotos: Reprodução

“A tentação do dia” também foi capa de revista e vencedora do concurso Miss Objetiva

 

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