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Saúde

“Eu estou enxergando”
Risoleta Cavalcanti recupera a visão perdida durante 20 anos e relata a emoção de redescobrir as filhas, que, na sua memória, tinham o rosto de criança

Márcia Montojos

Leandro Pimentel
A operação reduziu a miopia de 28 graus e curou uma catarata

Até um mês atrás, a economista Risoleta Cavalcanti, 66 anos, brigava com a filha Helena, 28, sempre que se sentavam à mesa. A mãe dispensava os talheres e utilizava as mãos para levar os alimentos à boca. O hábito pré-histórico estava longe de ser uma agressão às boas maneiras. Cega, era essa a forma que encontrava para manter-se independente na hora das refeições.

Desde o dia 18 de agosto, no entanto, o mundo novamente descortinou-se à frente de Risoleta. Submetida a uma operação na Clínica Brasileira de Cirurgia de Olhos, em Goiânia, ela reduziu sua miopia de 28 graus e curou uma catarata, retomado a visão perdida desde os 46 anos.

Pela primeira vez, em duas décadas, Risoleta voltou a usar talheres para comer e, muito mais importante, pôde conhecer as feições do único neto, Lucca, de 3 anos, e especialmente rever o rosto da filhas Helena e Joana, hoje com 35 anos. As últimas imagens que registrara das duas em sua memória foram de Helena aos 8 e de Joana aos 15.

“Foi uma emoção tão grande que choramos durante quase três dias. Embarquei para Goiânia sem contar nada sobre a cirurgia para não criar ansiedade nas meninas. Desembarquei no aeroporto em São Paulo, onde mora minha filha mais velha. De repente, alguém me pegou pela cintura e, quando me virei, não identifiquei quem era. Cheguei a pensar que fosse alguma amiga da Joana que fora me buscar. Foi quando Helena me chamou de mãe que percebi o quanto minha filha havia crescido. Então eu falei: ‘Minha filha, como você está bonita. Eu estou enxergando!’.”

A caçula chegou a adoecer tamanha a emoção de ver a mãe recuperada. Pudera. Desde 1981, quando, além da catarata, os médicos diagnosticaram pontos escuros em sua retina, provocados por pequenas hemorragias, ela vinha perdendo a visão. Depois de percorrer dezenas de consultórios, decidiu seguir o conselho de um médico visitado em Barcelona, de só tentar a operação quando ficasse completamente cega, já que havia o risco de perder o pouco que lhe restava de visão. Quando acordou da segunda etapa da cirurgia, no dia 16 de agosto, mal acreditou quando se viu no espelho.

“Tomei um verdadeiro baque. Não tinha noção do quanto tinha envelhecido. Minha primeira reação foi querer fazer uma plástica para tirar a papada, as rugas e as bolsas sob os olhos. Mas, quando olhei para minhas mãos e braços, percebi que teria que fazer plástica no corpo inteiro, então desisti.”

Leandro Pimentel

Embora ainda não tenha se submetido a um exame para aferir o atual grau de deficiência visual, ela acredita ter recuperado 95% da visão em relação ao que enxergava.

Desde 1995, só conseguia distinguir o dia da noite. Seu problema foi detectado aos 7 anos, quando ela já tinha dez graus de miopia. Seus pais foram aconselhados até a tirar a menina da escola. As dificuldades não impediram que Risoleta, aos 18 anos, se formasse em economia pela Fundação Getúlio Vargas. Nessa época, a miopia atingia 20 graus.

Aos 26, fez pós-graduação na França. Casou-se aos 28 anos no Brasil e logo retornou como exilada política àquele país, onde nasceu sua primeira filha, Joana. Separou-se e teve a segunda filha, Helena, fruto de um breve romance. Era uma bem-sucedida executiva da Cobra, empresa de informática, quando sua deficiência visual se agravou. O primeiro sintoma foi deixar de enxergar o rosto das pessoas e as cores.

“Um dia, cheguei a uma reunião no escritório e não consegui identificar a fisionomia dos meus colegas. Avisei a todos: ‘Não estou enxergando vocês’. Mas não me dei por vencida. Relutei durante seis meses em ir ao médico. Era nova na empresa e precisava mostrar serviço. Dependia daquele emprego para sustentar minhas filhas.”

Em 1982, não conseguiu mais manter sua pesada rotina de trabalho. Aconselhada pelos médicos, se aposentou por invalidez. Em casa, continuou na trincheira. Pintou os móveis e as portas de branco porque as manchas claras que enxergava ajudavam-na a dispensar qualquer auxílio para se locomover dentro de casa. Conseguia subir e descer as escadas da cobertura onde mora, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Em 1995, contratou uma secretária para ler para ela e digitar o livro que até hoje está escrevendo.

Utilizando provisoriamente óculos adequados a portadores de dois graus de miopia, que pegou emprestados da filha, Risoleta já planeja seu próximo passo rumo à independência: comprar suas próprias roupas num shopping.

Álbum de família

O passado distante

Risoleta, aos 40 anos, com
as filhas Joana e Helena.
Desde os 26 anos, ela substituíra seus óculos fundo
de garrafa por modernas
lentes de contato, que
acabavam de surgir na França, onde fora fazer mestrado. “Sentia meu rosto deformado com os óculos. Com as lentes, foi como se tivesse feito uma plástica.”

 

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