CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNACIONAIS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA


Esporte

A terapia em alta velocidade
Flávio Andrade, presidente da maior companhia de tabaco do País, descarrega o estresse disputando corridas com um carro que chega a 260 quilômetros por hora

Luís Edmundo Araújo

André Durão
Andrade troca o terno pelo macacão e alivia o estresse no comando de um cockpit

Flávio Andrade gosta de emoções fortes. Durante a semana, este fumante de 51 anos é o presidente da Souza Cruz do Brasil - empresa que controla 83% do mercado nacional de tabaco. É do centro do Rio, instalado numa sala de 30 metros quadrados cercada de miniaturas de automóveis, que ele critica a proposição da lei contra a propaganda de cigarros no esporte, que aguarda votação no Senado, em Brasília.

Para descarregar o estresse, provocado por essa discussão, o executivo troca o terno pelo macacão e transforma-se em piloto, acelerando um carro da Fórmula Espron, equipado com motor BMW M44 2.0, capaz de atingir a velocidade de até 260 km/h. “Já que a lei ainda não foi aprovada, prefiro pensar que meus únicos adversários são os outros pilotos que estão no grid”, brinca. É dentro do cockpit que Andrade faz sua terapia: “Quando termina uma prova, saio morto de cansaço, mas com a cabeça zerada para mais uma semana de trabalho”.

A última vitória aconteceu em 27 de agosto. Junto com o parceiro Ruyter Pacheco, Andrade venceu os 500 Quilômetros de Interlagos, em São Paulo, pelo campeonato de resistência. Devido ao temporal, a corrida encerrou-se 58 voltas antes do previsto. Nessa altura, o carro da dupla já estava sem a luz de freio. Como esses protótipos não têm farol, a direção da prova decidiu interrompê-la por questões de segurança. Na temporada regular, cuja disputa é individual, porém, o piloto só concluiu uma das oito etapas, quando conquistou o sexto lugar, em Brasília Ele compete praticamente todo sábado e domingo. “Se passei seis fins de semana em casa este ano, foi muito”, diz o pai de Fábio, 25 anos, Mauro, 23 e Flávio, 21. O piloto garante que sua mulher, Norma, não fica chateada com essa agenda. “É uma forma de eu parar de pensar nas questões da companhia”, afirma.

O troco de Nelson Piquet
Foi o tricampeão de F-1 Nelson Piquet quem deu o impulso definitivo na carreira do piloto-executivo. A amizade dos dois, porém, não valeu durante uma corrida. Em 6 de agosto, em Brasília, ele estava na sexta colocação e partiu para cima de Piquet, que ocupava o quinto lugar. A ultrapassagem foi inevitável, mas o tricampeão usou sua habilidade para não deixar barato. “Ele encostou no meu carro e me jogou contra a cerca. Saí da prova.”

A F-Espron foi idealizada por Nelson Piquet, o tricampeão de F-1 que se tornou adversário e amigo. A sua estréia na categoria deu-se em 1997, após sentir-se provocado pelo concorrente ilustre. “Aceitei o convite depois que Piquet falou que eu estava com medo de correr”, relembra. A partir daí, tomou gosto pela coisa. No ano seguinte, ganhou a primeira corrida, em Fortaleza (CE). Em 1999, terminou a temporada em quinto lugar.

O automobilismo sempre exerceu um fascínio em Andrade. Aos 18 anos, ele almejava ser piloto de provas em alguma montadora. Chegou até a se candidatar a uma vaga. Mas, ao tomar conhecimento de que teria de fazer um teste de contabilidade, desistiu. Depois disso, formou-se em Economia e construiu carreira no departamento de marketing da Gessy Lever. Na década de 70, transferiu-se para Souza Cruz. Foi nessa época que se envolveu com competições motorizadas.

O envolvimento com as corridas fortaleceu-se nos anos 80. O executivo comandou as negociações para que Ayrton Senna, então um jovem que despontava na equipe Toleman, fosse contratado pela Lotus, na época patrocinada pela John Player Special - um dos produtos da British American Tobacco, sócia majoritária da Souza Cruz. “O contrato só foi possível porque a empresa arcou com o pagamento do salário do Ayrton. A equipe queria um europeu. Não confiava nele.”

Em 1986, quando presidia a subsidiária da companhia no Chile, Flávio guiou pela primeira vez num autódromo. Em uma promoção de fim de ano, convidados da empresa puderam pilotar um carro de Fórmula 3, no circuito de Santiago. “Acabei fazendo o melhor tempo, tanto em 1986 quanto em 1987, quando repetimos a promoção”. De volta ao Brasil, o executivo promoveu uma brincadeira semelhante em 1995, ano em que a empresa patrocinava Maurício Gugelmim na F-Indy. Em uma volta no carro do piloto, no autódromo da Granja Viana, em São Paulo, ele ficou a um segundo do tempo de Gugelmim. “Ali vi que tinha condições de competir”. A partir daí, não parou mais de acelerar.

 

Leia Também

A independência
da estrela

Estrela das piscinas

Fivelinhas da fama

Célebres cabos eleitorais

A terapia em alta velocidade

A dentista
sobe ao palco

Clientela refinada

Um trio parada dura

O ataque continua

Chapeuzinho come
o lobo mau

Alexandre Pires
livre da culpa

Recesso maternal

Duelo de titãs

 



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três