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Ivan Lins

“Perdi a virgindade aos 20”
O cantor, que faz 30 anos de carreira, diz que não tomava iniciativa com as mulheres

Rodrigo Cardoso

Silvana Garzaro
“Para começar um namoro, elas tinham de dar
o primeiro beijo."

Este ano, o carioca Ivan Lins completa 30 anos de carreira. Para comemorar a data e acabar com um jejum de cinco anos sem gravar músicas autorais, chega às lojas esta semana A Cor do Pôr-do-Sol, seu o 26º CD. As comemorações se estendem até o final deste mês, quando será lançado nos Estados Unidos A Love Affair, um CD de músicas de Ivan, interpretadas por artistas como Sting, Freddy Cole e The New York Voices. Mas o grand finale acontecerá em outubro. Em território americano, Ivan irá se unir a um set de músicos estrangeiros num show no Carnegie Hall. Enquanto não vai para a terra do Tio Sam, o músico segue sua rotina, que inclui caminhadas, leitura de livros, degustação de vinhos tintos e baforadas com charutos cubanos. Filho de um engenheiro militar com uma dona-de-casa, aos 55 anos ele tem uma vida tranqüila ao lado da esposa, a produtora de moda Valéria Lins, de 46 anos, numa casa em Teresópolis, região serrana do Rio. Com a atriz e cantora Lucinha Lins, sua mulher por 12 anos, ele é pai de três jovens. Luciana, 28 anos, que foi adotada, Claudio, 27 e João, 24, moram no Rio. O cantor não teve filhos com Valéria, que é mãe de Carla e Diana, 25 e 20 anos. “Construí minha casa em Teresópolis para abrigar cinco pessoas, mas demorou tanto que os filhos foram se instalando em outros lugares”, conta. Hoje apenas Ivan e Valéria dividem a casa de cinco quartos e um estúdio. Teresópolis não deixa ser também um refúgio para ele. “Quando não quero ser reconhecido, tiro o óculos e viro um anônimo”, disse ele a Gente.

Por que ficou cinco anos sem gravar?
Estava desencantado com o mercado, inchado de coisas que não são a minha praia. Achava que não havia espaço para mim.

Por conta do axé e do pagode?
Os dois gêneros têm seu valor. O brasileiro criou gosto pelos ritmos tipicamente nacionais. Hoje, as raízes culturais daqui estão mais vivas dentro do mercado fonográfico do que antes. Os meninos do Katinguelê são bons, têm boas músicas. O Só Pra Contrariar também, assim como a música sertaneja. Mas letra, melodia e harmonia são primárias. Mesmo assim é um retrato da realidade cultural do País. O brasileiro é mais bem informado do que antes, mas é culturalmente mais ignorante. Por isso, consome produtos de qualidade inferior.

O que acha do Festival da Globo?

As letras das músicas do festival vêm de uma geração que está tateando no escuro, atirando para todos os lados. Há um buraco entre a minha geração e a atual. Quando a MPB saiu da mídia, nos anos 80, uma geração inteira ficou sem referência. A minha música se desenvolveu porque eu tinha um feedback do público. Hoje, não há interesse em se discutir MPB e o artista não sabe se o que faz é bom. O festival será válido, se tiver continuidade. O músico que não se classificou, hoje, pode melhorar no outro ano.

A música sempre o atraiu?
Antes de cantar, me formei em Química. Fui uma Maria-vai-com-as-outras. Achava que pudesse inventar coisas. Certa vez, tentei criar uma vitamina para os bichanos ficarem fortes. Matei três gatinhos por causa disso. Minha mãe quase me matou. Fiquei arrasado. Fui cruel. Matei até um gato do vizinho.

Como acabou na música?
Fui procurar emprego numa fábrica de cimento. No final da entrevista, o dono me pediu três autógrafos: para ele, a mulher e a filha. Nos anos 70, uma música minha concorria no Festival da canção. Na hora, pensei: ‘O que faço aqui de terno e gravata?’. Nessa época, não tocava piano. Achava que era coisa de mulher.

“Meu País” tocava em aviões da Varig antes da decolagem?
É verdade. Há dois anos, voltando de Nova York, os comissários me chamaram num canto do avião: “Ivan, sua música é muito legal, mas dá para pedir para os chefões trocarem por outra. A gente não agüenta mais”! Eu falei: “Claro, eu também não agüento”. E o que fez? Uma semana depois o Michel Legrant fez um show patrocinado pela Varig e me convidou. Na platéia, só convidados e executivos da empresa. Então peguei o microfone, pedi a mudança da música e me ofereci a compor outra sem nenhum custo. Até hoje não me responderam.

Música ajuda na conquista?
Usava para me exibir. Mas não fui namorador. Era tímido. Até hoje sou. No colégio, quando a professora falava o meu nome, suava frio. No início da carreira, tinha pânico de subir ao palco, de entrar no estúdio de gravação. Morria de medo de passar vergonha e fiz seis anos de terapia.

Mas e as mulheres?
Certa vez fui a pé para me apresentar num programa de auditório, no Rio. Na porta do teatro, onde aconteciam as gravações, umas 200 mulheres gritavam meu nome. Saí correndo delas. Vi um buraco no baú de um caminhão da Globo e me joguei. Fiquei pendurado, pedindo para me puxarem. Só sentia as mãos da mulherada.

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