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Luiz Thunderbird


“Comprava droga para não me matar”
O VJ deu “bolo” em José Bonifácio Sobrinho, o Boni, porque não conseguia parar de cheirar cocaína e diz que só não se suicidou porque tinha dinheiro para se drogar

Alexandre Tokitaka
“Um dia arrombaram o quarto do hotel. Estava desmaiado. Acordei com uma conversa entre a camareira e um assistente: ‘Acho que ele morreu’”

E você os deixou esperando?
Sim. Uma vez meu empresário marcou uma reunião com o Boni, no Rio. Às 10 horas ele me ligou: “Não vai esquecer do almoço com o Boni, às 12 horas”. Estávamos em São Paulo e falei para ele embarcar na minha frente. Às 11 horas meu empresário chegou no Rio e perguntou se eu estava no avião. Disse que estava no táxi. Meio dia ele ligou de novo. “Estou com o Boni. Você já chegou?” Dei uma aspirada no bocal do telefone e disse que não. Ele me xingou muito. Dizia aos berros que eu havia deixado o homem mais importante do Brasil esperando. Virei para o cara e disse: “Vai se f.”

No Rio, quando fazia o TV Fama, em 1994, consumia menos?
Pensava que fosse parar de cheirar porque não teria um traficante me instigando. Precisava muito parar, cara. Mas sabe o que aconteceu? Eu importava um traficante de São Paulo literalmente. Pagava passagem de avião para ele vir me fornecer. Morei no Rio quase um ano e só saía do quarto do hotel para ir ao caixa eletrônico. Estava a 100 metros da praia, mas não pisava na areia. Depois de um mês já era amigo do pessoal do morro da Dona Marta.

Você não saía do apartamento?
Tinha muito medo. Cheirava absolutamente sozinho. Cheguei a pagar para garotas de programa conversarem comigo. Fazia terapia com prostitutas, sabe o que é isso? Elas me viam cheirando e falavam: “Você está louco! Vamos conversar e sair para passear”. Não tinha Cristo que me tirasse dali. Um dia arrombaram a porta do quarto. Eu estava há dois dias desmaiado no chão. Acordei com uma conversa entre a camareira e um assistente: “Acho que ele morreu. Vamos chamar a polícia”. Derrubaram a porta, porque um motorista estava no hotel para me levar à Globo. Só que me chamavam e eu não respondia. Quando estava na MTV também bateram na porta da minha casa e pensaram que eu havia morrido. As drogas prejudicaram meu trabalho na Globo. Gravava louco. Se estivesse careta, a coisa seria diferente.

Já ficou devendo para traficante?
Fiquei devendo R$ 800 uma vez. Encontrei o cara num café, em São Paulo, um ano depois que parei com tudo. Ele me deu os parabéns, mas me cobrou. Depositei a grana e ele me disse, num outro dia: “Gostei de ver. Você é sujeito dez. As portas estão abertas da firma”.

E seus pais, como viveram essa sua fase?
Minha mãe, coitada, não sabia como me ajudar. Quando saí da clínica, ela e meu pai começaram a se tratar. Não usavam nada, mas viveram o terror de quem usa. Eram co-dependentes e também adoeceram. Depois que saí da clínica, em 1997, morei um ano na casa dos meus pais e fui sustentado por eles.

Quando decidiu se tratar?
Em 1997, um amigo que usava comigo me indicou uma clínica. Fui. Para o meu azar o cara que me entrevistou era um que se acabava nas drogas comigo. Não acreditei em nada e pulei fora. Procurei as irmandades anônimas e fiquei quatro dias sem usar. No quinto, só não usei porque tive uma dor de dente. Aí, senti medo de voltar a usar e me internei durante 35 dias. Salvei minha vida.

Como conseguiu?
Logo que entrei na clínica, queria uma suíte só para mim, limusine e massagista tailandesa. Agia como se fosse um palhaço. Descia para o café da manhã e fazia atividade física de roupão. Aí deixei o personagem de lado e quis recuperar o Luiz Fernando.

E as crises de abstinência?
Ainda hoje, mais de uma vez por semana, tenho vontade de usar. Me livro da tentação dizendo para mim mesmo: “Amanhã quem sabe. Hoje, não”. Só na primeira semana, estive perto de fugir várias vezes da clínica e ir para um hotel cinco estrelas.

Nem cigarro você fuma mais?
Parei de fumar no parque do Ibirapuera. Corri 200 metros na pista de cooper e comecei a tossir e sentir falta de ar. Duas garotas viram a cena. Fiquei mal e decidi nunca mais fumar. Este ano, no dia do combate ao fumo, vou erguer uma placa com os dizeres: “Aqui jaz um fumante”.

Está curado?
Estou há três anos, dois meses e 10 dias sem me drogar. Vou às reuniões de uma irmandade anônima cinco vezes por semana. Tenho três afilhados, pessoas para as quais passo mensagens e ajudo na recuperação.

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