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Medicina
Rasteira
no Tio Sam
Ricardo Brentani, presidente do Instituto Ludwig, coloca o Brasil
à frente dos Estados Unidos na luta contra o câncer de mama
Cesar
Guerrero
| Piti
Reali |
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| “Nós
temos três vezes mais informações sobre esse tumor do que os
norte-americanos”, diz Brentani |
A engenharia
genética é, sem dúvida, o tentáculo
da medicina que dará o tom dos maiores avanços do
próximo século, principalmente no que se refere à
cura do câncer. Paradoxalmente, o Brasil é um dos líderes
em número de mortes por câncer de mama mas está
no páreo para ser a primeira nação a conhecer
todos os genes ativos em um tumor desse gênero. Por trás
dessa faceta científica do País está Ricardo
Brentani, 63 anos, presidente do Hospital do Câncer de São
Paulo e do Instituto Ludwig, a entidade que lidera a empreitada.
Nós temos três vezes mais informações
sobre esse tumor do que os norte-americanos, garante Brentani.
O
projeto brasileiro de genoma do câncer congrega 30 entidades
e é financiado pelo Instituto Ludwig em conjunto com a Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Brentani
montou a equipe de pesquisadores que está passando a perna
no milionário projeto do Tio Sam. Como presidente do Instituto,
o médico participa tanto das pesquisas em laboratório
quanto da busca por recursos financeiros para o projeto. O
investimento pode chegar a R$ 40 milhões, diz Brentani.
Autor
de mais de 133 artigos científicos em diversas publicações
especializadas, Brentani nasceu em Trieste, na Itália. Seu
pai veio para o Brasil, em 1937, assustado com os rumores de guerra
na Europa. Seu ingresso na Faculdade de Medicina da Universidade
de São Paulo, em 1957, só confirmou a vocação
que mostrava desde criança. Eu já sabia que
seria médico, diz. Durante as aulas descobriu que preferia
trabalhar como pesquisador a atender pacientes em consultórios.
Já no segundo ano de faculdade, assinou, com dois professores,
um artigo na revista Nature, sobre a bioquímica celular.
Tanta
dedicação à carreira fez com que a vida pessoal
de Brentani se desenvolvesse em torno do laboratório. Foi
lá, entre microscópios e tubos de ensaio, que ele
conheceu a bioquímica Maria Mitzi. Ela ficava tão
bonita de avental que eu a convidei para ir ao cinema, lembra
o médico. Foram assistir Duelo de Gigantes, um faroeste
estrelado por Kirk Douglas que acabara de ser lançado naquele
ano de 1961. Dez meses depois estavam casados. O primeiro dos quatro
filhos, Hugo, nasceu enquanto Brentani ainda estava na faculdade.
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