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Educação

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Aluno de um projeto da prefeitura de Santana de Parnaíba (SP), Ednaldo Ademar de Souza dribla a exclusão restaurando prédios centenários

Cesar Guerrero

Fotos: Claudio Gatti
“Antes meu inimigo era a falta de perspectiva, agora são os pombos que sujam as fachadas que eu restauro”

Ednaldo Ademar de Souza é filho de migrantes nordestinos e cresceu perambulando pelas ruas de Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. Sua história poderia ter engrossado os arquivos da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem). Mas o rapaz escapou da sina. Hoje, aos 18 anos, restaura fachadas de edifícios históricos com a precisão de um artesão. “Antes meu inimigo era a falta de perspectiva, agora são os pombos que sujam as fachadas que eu restauro”, diz.

Ele é um dos 36 jovens do Projeto Oficina Escola de Artes e Ofícios de Santana de Parnaíba. Além da técnica de restauração, Ednaldo estudou direitos e deveres do cidadão e a vida de gênios da arte. Para receber a bolsa de estudos de R$ 70 por mês, teve de se esforçar para não repetir de ano na escola pública. Mas ele se destacou. Virou instrutor e seu salário saltou para R$170 por mês. “Com esse dinheiro estou reformando a casa de meus pais”, diz.

O rapaz ajuda a encher a geladeira da família que vive sob o teto de três cômodos. “Depois da reforma tudo vai ficar bonito”, diz Josefa, mãe de Ednaldo. Além da mãe, ele mora com o pai, Ademar, e o irmão, Aloisio, no bairro de Colinas de Anhangüera, a 15 quilômetros do centro da cidade. A família fugiu da seca em 1990, quando Ademir vendeu sua pequena propriedade no município de João Alfredo, em Pernambuco.

A prefeitura passou dois anos quebrando a cabeça para enquadrar em seu orçamento a reforma de 209 prédios tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo (Condephaat). A saída foi recrutar a mão-de-obra entre os menores carentes. “O projeto atua no campo social, ao treinar os garotos para uma profissão”, diz o prefeito Silvio Peccioli. O sucesso foi tanto que já ultrapassou fronteiras. Em julho, Rafael Suárez Tabares, cônsul-geral de Cuba, fez uma visita ao local. “Estou comovido com o projeto”, disse o diplomata na ocasião.

Todas as fachadas do centro histórico foram restauradas. A próxima etapa será reformar a parte interna. Ednaldo prepara-se para estrear como instrutor: “Quero ensinar o que aprendi”. Mas, por enquanto, sua maior preocupação são os pombos.

 

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