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Cécil Thiré

“A fama de gay me prejudicou”
Filho de Tônia Carreiro, o ator diz que perdeu papéis por causa do rótulo de homossexual e conta que vendeu 25 bezerros para produzir peça de autoria do filho

André Durão
“Senti muita falta da minha mãe na infância. Ela trabalhava como louca. E precisei fazer oito anos de análise para entender o estigma de ser o filho da Tônia Carrero”

Pensa em ter mais filhos?
Não. Eu não tenho poder aquisitivo para pensar em ter mais filhos. Sustento a minha casa e meus dois filhos mais novos, o Miguel, do meu segundo casamento, e o João, do terceiro. Os mais velhos, Luiza e Carlos, não dependem mais de mim financeiramente.

Você tem um contrato como diretor e outro como ator na Globo. Qual das duas funções gosta mais de exercer?
No palco, gosto das duas. Na tevê, somente ator. É mais tranqüilo. Estou com saudade de fazer um bom personagem numa novela.

Mas durante anos se dedicou exclusivamente à direção.
Foi acontecendo por acaso. Mas hoje, pensando bem, atribuo ao fato de ter perdido os cabelos. Fiquei careca aos 27 anos. E o jovem careca não tem papel no teatro, no cinema ou na tevê. Somente depois dos 40, você começa a ter papel de novo, como aconteceu comigo. Aí vira dono de empresas, o patrão, o bandido, entre outros.

Costuma escolher seus personagens?
Na TV Globo, o máximo que se pode fazer é não aceitar um papel. Somente uma vez recusei um papel, porque não queria viver novamente um rico de terno. Falei com o Paulo Ubiratan (diretor das emissora) e ele viu que eu tinha razão.

A velhice o incomoda?
Me preocupa no sentido de eu perder a vitalidade e a energia para trabalhar. Quero ter capacidade mental e física para ter uma vida produtiva.

E você se cuida?
Faço antiginástica. Vou ao médico periodicamente, parei de fumar há 17 anos, não como bichos de quatro patas e complemento minha alimentação com a medicina ortomolecular.

O que acha dessa nova geração de atores e da entrada de modelos na tevê?
Sempre foi o rostinho bonito que abriu portas na tevê, com algumas exceções. A Glória Menezes, a Eva Wilma e a própria Tônia Carrero tinham talento, mas muitas vezes foram escaladas para novelas porque eram lindas. O próprio Edson Celulari, quando começou, era um cara que deixava muito a desejar como ator e hoje é ótimo, um ator formadíssimo e que continua bonitão. A Sílvia Pfeiffer é outro exemplo. Não tenho preconceito com modelos que viram atores. As chances são dadas a todos.

Você ressaltou a beleza de Tônia. É difícil ter uma mãe desejada?
Meus amigos viviam me perturbando. Ela era muito bonita e eu cansei de ouvir comentários do tipo: Pô, tua mãe é gostosa! Como naquele tempo as atrizes eram confundidas com putas, encarava como deboche, um modo de ofender.

E como superou o trauma?
Durante um período da minha vida, fui um menino muito fechado e quieto. No início da minha carreira, ainda sofri com o estigma de ser apenas o filho da Tônia Carrero e não o Cécil Thiré. Precisei fazer oito anos de análise para entender o porquê disso e conviver bem com a profissão.

Sentiu falta da sua mãe na infância?
Muita. A Tônia Carrero, nome artístico que minha mãe criou, passou a existir quando eu tinha 5 anos. Antes disso, ela vivia dentro de casa comigo. Depois, minha mãe começou a trabalhar como louca e eu sempre perguntava: “cadê ela?”. Algumas vezes, ficava triste porque voltava do colégio e não encontrava minha mãe em casa. Chegava à noite ou de madrugada porque estava trabalhando. Nem sempre conseguia vê-la antes de dormir. Ela não era como a mãe dos meus vizinhos ou colegas. Só fui reencontrá-la no palco, acompanhando seu trabalho da coxia. Com o tempo, percebi que não era descaso e sim total falta de tempo mesmo, o que é comum a atrizes que são mães.

Acha que seus filhos também podem ser estigmatizados por terem um pai famoso?
Isso é comum a todos os filhos de artistas quando decidem seguir a profissão dos pais, que já são profissionais consagrados.

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