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Enxame de abelhas

Divulgação
Cinegrafista, editor, repórter e motorista em um único profissional

Ramiro Zwetsch

Em maio de 1997, o vídeo repórter Aldo Quiroga, 26 anos, da Rede Cultura, captou uma imagem que foi retransmitida para a CNN norte-americana e todos os outros canais abertos da tevê brasileira. Em um confronto entre a polícia militar e um grupo de sem-tetos, Quiroga registrou uma das três vítimas recebendo um tiro dos policiais e caindo aos seus pés. O caso ilustra bem a vantagem dos vídeo repórteres em relação ao cinegrafista e ao repórter -- seus colegas no jornalismo televisivo. O vídeo repórter acumula as duas funções. “Por ser uma pessoa só fazendo a matéria, a captação ganha agilidade”, explica Quiroga.

Apelidados de abelhas, esses profissionais vêm ganhando espaço na tevê brasileira. A própria Rede Cultura, que contava com dois vídeo repórteres há quatro anos, acaba de contratar mais três para sua nova programação jornalística. “Os vídeo repórteres se encaixam em qualquer tipo de matéria, seja de cultura, esportes ou geral – que é o melhor lugar para eles”, diz Marco Antônio Coelho Filho, diretor de jornalismo da emissora. “Eu já estou convencido que o formato é campeão: torna a matéria mais ágil e autoral”.

Outra emissora que está investindo na linguagem é o Canal 21 – transmitido só para São Paulo –, que está dando um passo adiante no sentido de centralizar várias funções em um só profissional. Está criando o “4 em 1”. “A idéia é antecipar uma tendência do futuro, quando o repórter terá que ser multimídia”, diz Cintya Floriano, coordenadora do projeto SP Digital, que está no ar desde o dia 7.

Para colocar em prática a nova idéia, foram contratados – e devidamente treinados – seis profissionais que acumulam as funções de editor e motorista, além da reportagem e captação de imagens. Munidos de câmeras digitais, que pesam menos de dois quilos, os abelhas “sobrevoam” a cidade atrás de notícias que vão ao ar em forma de boletins de até 60 segundos.

Depois de captar imagens e entrevistas, eles editam o material no próprio local da reportagem em computadores portáteis e enviam a matéria pronta para a sede da emissora, através da internet. “Nós estamos experimentando a linguagem em oito boletins diários, como laboratório para um programa semanal que deve estrear até o fim do ano”, antecipa Floriane.

Como as imagens digitais chegam através da internet, elas não apresentam qualidade de definição para ocupar a tela inteira da tevê. Por isso, os boletins ocupam apenas 1/4 do monitor de tevê, com uma moldura gráfica preenchendo o resto da tela. Com isso, a qualidade das imagens é preservada e são veiculadas com ótima definição.

 

 

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