|

Comédia
dramática
A
Vida Passa
Texto de Miguel Falabella emociona, faz rir
e refletir sobre o tempo
Mauro
Ferreira
| Divulgação |
|
|
| Thereza,
Arlete, Natália e Suzana: fantásticas nos papéis |
Obra-prima
da dramaturgia nacional, A Partilha deu fama, fortuna e reconhecimento
no meio teatral ao seu autor, Miguel Falabella. Dez anos depois
da estréia do texto, Falabella decidiu escrever e dirigir a continuação
da história, com o elenco original, formado por Arlete Salles, Natália
do Valle, Suzana Vieira e Thereza Pfeifer. Em cartaz no Teatro Vannucci,
no Rio, A Vida Passa vence sua prova de fogo. Embora sem
o mesmo teor de novidade de A Partilha, a nova peça faz rir,
emociona e provoca reflexões sobre o passar do tempo.
As
atrizes estão novamente fantásticas nos papéis das quatro irmãs
que fazem um balanço da vida entre tapas e beijos. Arlete (Mária
Lúcia) e Suzana (Regina, agora evangélica) reeditam as interpretações
iluminadas da primeira versão. Já Thereza (a lésbica Laura) e Natália
(a reprimida Selma) crescem na continuação e ficam no mesmo patamar
de suas colegas. Sobretudo Natália, brilhante na construção da personagem
mais densa da peça.
A
Vida Passa é mais melancólica do que A Partilha. Perspicaz
observador da alma humana, Falabella atualiza com sensibilidade
seu painel das frustrações e emoções da classe média brasileira.
Daí a razão do estouro de A Partilha e da excelente receptividade
que A Vida Passa já está tendo do público carioca, com sessões
sempre lotadas.
No
fim da peça, o público sai com os olhos marejados. Talvez por se
identificar com a inércia de Selma perante a vida e o casamento
fracassado. Talvez por se espelhar nas estratégias de Regina para
sobreviver aos apertos financeiros e à solidão. Ou, quem sabe, por
ver em Maria Lúcia um exemplo de mulher que sempre renova as esperanças
de encontrar o verdadeiro amor, nem que seja num canal de bate-papo
na Internet. A Vida Passa fala de vida real. E esta, a vida,
tem andado muito ausente dos palcos brasileiros.
Gente como a gente
Teatro
Vannucci – Rua Marquês de São Vicente, 52 – Rio
|