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Dança
O
Corpo
Grupo Corpo festeja 25 anos com sangue novo
e trilha sonora de Arnaldo Antunes
Paula
Alzugaray
| Divulgação |
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| Nova
coreografia transforma corpos em letras e pixels |
Nada
melhor que, para comemorar seus 25 anos de palco, o Grupo Corpo
coloque em cena uma coreografia cuja célula seja
justamente O Corpo. A sacada foi do músico e poeta
Arnaldo Antunes, convidado pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras
a compor a música original do novo espetáculo que
inicia turnê nacional no Teatro Alfa, em São Paulo.
O resultado é fabuloso. Nos primeiros dez minutos, é
verdade que o alfabeto musical de Arnaldo introduzido pelas
palavras mão, pé, perna, braço, umbigo e pneu
rouba a cena. Mas, habituados
os ouvidos ao impacto da sofisticada teia sonora confeccionada de
palavras, sons guturais, orgânicos e melódicos, descobre-se
que a música está a serviço de uma interessante
proposta corporal.
Em
sua 26ª coreografia para o Grupo Corpo, Rodrigo Pederneiras
quis estabelecer um marco: migrar dos temas regionais e da música
popular em direção a um contexto urbano. Lançando
mão de movimentos mais obtusos e menos sinuosos, transformou
corpos em letras, dígitos e pixels. Cargas emocionais em
impulsos elétricos.
A
subversão proposta por Arnaldo ajoelha de costas,
senta de bruços repercute tanto nos corpos dos
bailarinos quanto na cenografia minimalista e na iluminação
gráfica e rítmica concebida por Paulo Pederneiras.
O grande mérito de O Corpo é a integração
entre emoção e técnica. Mesmo investindo no
universo urbano e tecnológico, os bailarinos não abandonam
a languidez sensual do gesto. E mostram que não é
preciso vestir figurinos de chita colorida para dançar o
Brasil.
Corpos
e letras
Até
20/8 Teatro Alfa (SP); 30/8 a 4/9 Theatro Municipal
(Rio); 6/9 a 10/9 Teatro Nacional (Brasília); 13/9
a 18/9 Palácio das Artes (BH); 8/11 a 12/11 - Theatro
São Pedro (Porto Alegre); 15/11 Teatro Guaíra
(Curitiba).
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