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Foco
Pagode
Groove
Gustavo
Maia
Há
algo de diferente no ar. Depois do “boom” de timbas e cavaquinhos
que dominou rádios e programas de auditório nos últimos anos, parece
que o pagode já não está mais com essa bola toda. Prova disso foi
a notável ausência de clipes de pagode selecionados pela audiência
para o último Vídeo Music Brasil, da MTV, – apesar da categoria
específica criada há um ano para o gênero. Aproveitando a curva
descendente, os grupos de pagode Art Popular, Só Pra Contrariar
e Negritude Jr. resolveram diversificar e em seus últimos CDs apostam
em outros ritmos.
A nova
vertente – escolhida pelos três grupos – é a releitura do som “black”
dos anos 70. Parece até que os três conjuntos trocaram figurinhas
na hora de escolher o repertório. O rei do samba funk Jorge Benjor,
por exemplo, participa da primeira faixa de Bom Astral, novo
CD do Só Pra Contrariar, e do hit “Agamamou”, carro chefe do Acústico
Art Popular.
As
afinidades não param por aí. A faixa “Balada da Noite”, que abre
o trabalho do SPC, é uma adaptação de “Staying Alive”, sucesso dos
Bee Gees que embalou as noites de sábado da geração disco. A música
“Tá Tudo Aí”, do álbum Periferia, dos meninos Negitude Jr.,
é inspirada em “That’s The Way (I Like It)”, outro hit à la Dancing
Days. Correndo por fora, o Art Popular gravou a faixa “É o Fim”
com participação do grupo vocal Ebony Vox, deixando clara a referência
ao estilo vocal da música negra americana que consagrou grupos como
Take Six e Boyz II Men.
Ao
fugir das raízes pagodeiras, o Art Popular vendeu 100 mil cópias
em um mês, enquanto o Negritude – que, entre os três grupos, é o
que se mantém mais fiel ao estilo original – chegou a 90 mil. Um
bom começo para o novo “pagodance”, que vem para enfeitar de luzes
estroboscópicas a velha roda de samba.
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