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Arte
Expressionismo
Alemão
Acervo revela tesouro preservado da ação nazista
nos anos 30
Ligia Canogia
| Reprodução |
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| Paisagem
da Bavária com Igreja (1912), de Kandinsky (no alto), e Raposa
Negra-azulada (1911), de Franz Marc: expressões da subjetividade
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O
expressionismo alemão é maior do que a idéia de um movimento de
arte, é pensamento a respeito de um mundo burguês. Seu surgimento
refletiu uma posição contrária ao racionalismo moderno e ao trabalho
mecânico, através de obras que combatiam a razão com a fantasia.
Influenciados pela filosofia de Nietzsche e pela teoria do inconsciente
de Freud, os artistas alemães do início do século fizeram a arte
ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura
da subjetividade psicológica e emocional. Os objetos reais deixaram
de ser o “motivo” da representação artística, agora filtrada pelas
pulsões alucinantes de um “eu” que se debatia com o mundo exterior.
Importante
período da história da cultura, o expressionismo alemão foi fundamental
para a arte moderna e sua contribuição pode ser avaliada na exposição
Expressionismo Alemão – Destaques da Coleção do Von der Heydt-Museum
Wuppertal, em cartaz no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Cerca
de 280 obras traçam o perfil dos dois principais grupos expressionistas:
A Ponte (Die Brücke) e O Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter), com
obras de Emil Nolde, Ernest Kirchner, Erich Heckel, Schmidt-Rottluf,
Otto Dix e George Grosz, além de estrangeiros radicados na Alemanha,
como Paul Klee e Kandinsky.
A
deformação das figuras dos expressionistas mostram claramente os
impulsos libertários do movimento que submeteu o real às leis da
imaginação, com pinturas de atmosfera apocalíptica e anarquista.
Os expressionistas tiveram, além de nova postura estética, uma atitude
moral em que se lia a força do indivíduo sobre as pressões autoritárias
da sociedade. Entretanto, foram essas premissas ideológicas que
levaram a obra expressionista a ser considerada decadente pelo regime
nazista. Nos anos 30, com o crescimento do nazismo na Alemanha,
dizia-se que a dissolução das formas expressionistas equivalia a
uma dissolução da moralidade. Várias obras foram destruídas na Segunda
Guerra Mundial, inclusive as de museus de Wuppertal. Das primeiras
obras doadas por Von der Heydt, em 1909, aos dias de hoje, o patrimônio
foi reerguido pela própria população e o museu que leva o nome do
doador é considerado um dos dez mais importantes do país.
Fantasia
em estado puro
Até
24/9 – Paço Imperial – Praça 15 de Novembro, 48 – Rio
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