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Drama
Eu
Tu Eles
Direção
e atuações certeiras valorizam história de amor não convencional
Ramiro
Zwetsch
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Divulgação
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| Regina
Casé e Luiz Carlos Vasconcelos: lições de relacionamento humano |
De
dia, o clima seco avermelha a paisagem. De noite, a sinfonia do
silêncio é regida pelos grilos e pelo ranger das redes balançando.
A poeira sobe com o trote do jegue que puxa a carroça nas ruas de
terra e Luiz Gonzaga toca mais uma vez no radinho de pilha. Todos
os elementos que ajudam o espectador a se ambientar à vida sertaneja
são captados com extremo bom gosto pela lente de Andrucha Waddington,
no filme Eu Tu Eles – cartaz nacional a partir de sexta-feira
18. Som e imagem se somam em suave harmonia, valorizando ainda mais
essa irresistível história inspirada na vida real.
O
filme gira em torno de Darlene (Regina Casé), uma mulher que consegue
driblar os tabus do machismo, conciliando a convivência afetiva
com três homens debaixo de um mesmo teto, no fictício vilarejo de
Russas, em algum lugar do nordeste brasileiro. Em resposta à condição
submissa que seu (até então único) marido Osias tenta lhe impor,
Darlene desenvolve uma certa malícia. Ela aceita o acúmulo de tarefas
– das atividades domésticas ao trabalho pesado da lavoura – em troca
de um teto.
Longe
dos olhos do marido – que ocupa-se em testar, ao longo do dia, as
melhores posições para se acomodar na rede –, ela inicia um flerte
amoroso com Zezinho (Stênio Garcia), primo de Osia. Mais tarde,
envolve-se com Ciro (Luiz Carlos Vasconcelos), jovem bóia-fria que
ela conhece na lavoura. Dando à luz filhos de paternidade incerta,
Darlene articula uma teia de envolvimento com seus amados – que
acabam aceitando a convivência pacífica.
A
caracterização dos personagens é certeira. Todos apresentam fraquezas
e virtudes que se contrapõem ao longo do filme, em um conflito psicológico
que tem um desfecho surpreendente. Para alcançar essa tensão, Waddington
apoia-se em grandes interpretações de Lima Duarte, Stênio Garcia,
Luiz Carlos Vasconcelos e, principalmente, Regina Casé – que certamente
conquistará um reconhecimento unânime.
Mulher
macho, sim senhor!
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