|

Elizabeth
Angela Marguerite Bowes-Lyon, a rainha-mãe, faz 100 anos
A
dona dos corações ingleses
Considerada
por Adolf Hitler “a mulher mais perigosa do mundo”, ela representa
hoje a história da monarquia britânica em carne e osso e chega ao
centésimo ano com vitalidade para participar de festas reais e freqüentar
corridas de cavalo
Neuza
Sanches
| AP |
 |
|
No
carro oficial da família real e ao lado do neto, o príncipe
Charles, a rainha-mãe atravessa o portal central da Clarence
House, em Londres, antes de receber os cumprimentos por seu
centésimo aniversário
|
Era
1939, início da Segunda Guerra Mundial. Os ingleses se preparavam
para a mais dura batalha dos últimos séculos. Mas a família real
tinha a chance de se refugiar no Canadá. “O lugar de um rei é em
seu país. E o lugar de uma rainha é ao lado dele”, declarou a então
rainha Elizabeth. Ela, as duas filhas e o rei George VI permaneceram
no Palácio de Buckingham durante todo o conflito. Mais. A rainha
aprendeu a manusear armas e passou a visitar os feridos nos hospitais
londrinos. Um ano mais tarde, seis bombas atingem o Palácio, com
a rainha no local. E mesmo assim, ela não arredou o pé de lá. A
sua capacidade de manter a força moral dos ingleses fez com que
o alemão Adolph Hitler a definisse como “a mulher mais perigosa
da Europa”.
A partir
daí, Elizabeth passou a ter espaço garantido nos corações britânicos.
É lembrada como uma mulher comum que salvou a monarquia e, portanto,
considerada o membro da família real mais querido por eles. A rainha-mãe,
como é carinhosamente chamada pelos súditos, fez cem anos. E pode-se
dizer, sem risco de erro, que ela é quase uma metáfora da história
britânica no século XX, por sua trajetória coincidente com as situações
boas e más nesse período.
Elizabeth
Angela Marguerite Bowes-Lyon nasceu em 4 de agosto de 1900. Uma
época em que o império britânico prosperava. O Partido Trabalhista
começava a engatinhar. Aviões, rádio, televisão e testes genéticos
não existiam. Pensamentos e estudos, porém, pipocavam e ensaiavam
os primeiros passos para se chegar ao planeta dos dias de hoje.
Oscar Wilde vivia. Enquanto Albert Einstein trabalhava em sua Teoria
da Relatividade. E Freud tinha acabado de publicar A Interpretação
dos Sonhos.
O folclore
britânico conta que a nona filha dos condes Strathmore, quando criança,
tinha gênio forte e chegou a bater em um mordomo de nome James.
A rainha-mãe cresceu em meio à ebulição científica espalhada pelo
planeta. Conheceu seu príncipe, George, o duque de York, e a partir
daí, a jovem com vinte e poucos anos começou a editar seu próprio
destino.
A tradição
exigia dos filhos dos reis casamentos com membros da realeza. Mas
os ventos reformistas a favoreceram. E Elizabeth foi a primeira
plebéia a ascender ao círculo real ao casar-se, em 1923, com o segundo
na linha de sucessão do trono. Três anos depois, Elizabeth teve
sua primeira filha, a princesa Elizabeth II, ou Lilibet, como ainda
gosta de chamá-la. A família real cresceu mais um pouco, quando
em 1930, nasceu sua segunda filha, Margaret.
Próxima
>>
|