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Talk show

Provocações
O diretor de teatro Antônio Abujamra estréia na função de âncora

Divulgação
Abujamra: bate, mas também assopra

Alessandro Giannini

“Este programa existe para a gente entender o que é ser brasileiro.” Com essas palavras, o ator, diretor de teatro e agora apresentador Antônio Abujamra abriu o primeiro Provocações, que marcou a estréia da nova grade da Rede Cultura na noite do último domingo. Concebido pelo próprio Abujamra e pelo jornalista Gregório Bacic como uma espécie de talk show atrevido e desbocado, não conseguirá explicar de modo amplo a condição de quem nasce, cresce e vive no País. Mas tem condições de ajudar na tarefa.


Com média de dois pontos em um horário em que o Fantástico, na Rede Globo, e os programas esportivos, em outros canais, reinam absolutos, Provocações mostrou que tem potencial para crescer. Com um formato compacto e ágil, entremeia entrevistas de estúdio com reportagens de rua
e intervenções inusitadas. Tudo protagonizado pelo âncora e seu indisfarçável sarcasmo.

Nesse primeiro episódio, os entrevistados foram o escritor Mário Prata, o arquiteto Jorge Willheim, Tiazinha, o poeta Mário Chamie e a socialite Marina de Sabrit. Com alguma ousadia e uma grande dose de humor, o que o exime de qualquer constrangimento, Abu dispara perguntas e constatações que todos gostaríamos de fazer. “Já te chamaram de perua?” (para Marina de Sabrit). “Você tem noção de que, quando mexe a região glútea, os jovens de todo o Brasil se masturbam?” (para a Tiazinha).

Quando leva a câmera para a rua, Abu exibe pendão para o jornalismo. Encontra – e entrevista – um mendigo que lê Honoré de Balzac deitado na calçada de uma rua. Há também uma pitada de arte e cultura. O ator intervém declamando poemas e recitando textos clássicos de autores como Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Goethe e Vinícius de Moraes.

Os reparos ficam por conta de detalhes, como a falta de produção esmerada e, no fim das contas, uma certa falta de comprometimento com o espectador. Não custa nada colocar legendas nos trechos em que Abu recita os textos, informando ao público de quem são.

Provocativo, mas nem tanto

 

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