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Comédia
Duas
Mulheres e um Cadáver
Fernanda Torres e Débora Bloch fogem dos clichês
em trama anti-realista
Mauro
Ferreira
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Divulgação
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Fernanda,
Débora e o defunto do título: em total sintonia
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Primeiro
texto para teatro da escritora Patrícia Melo, Duas Mulheres
e um Cadáver entrelaça elementos de comédia
besteirol, teatro do absurdo
e trama policial para dissecar a alma das duas mulheres do título.
Em cena, elas são vividas por Débora Bloch e Fernanda
Torres em seu primeiro trabalho realmente juntas, descontada
a participação isolada de ambas nos esquetes de Cinco
X Comédia.
Sob
a direção de Aderbal Freire Filho, Débora e
Fernanda dividem o palco do Teatro das Artes, no Rio de Janeiro,
nas peles de Beatriz e Ana, respectivamente. Beatriz é a
mulher de um psicanalista. Ana, sua paciente e amante. A trama se
desenrola a partir do encontro das duas no consultório do
psicanalista, que foi assassinado.
O cadáver se interpõe entre elas para fazer brotar
diferenças que,
ao final, se transformam até em semelhanças. Unidas
pela carência afetiva, Beatriz e Ana acabam cúmplices
da mesma síndrome de solidão e dependência afetiva
que assola homens e mulheres neste fim de século.
O texto de Patrícia Melo é perspicaz. Foge dos clichês
das comédias populares com forma nada linear e até
mesmo anti-realista de desenvolver
a trama. Mas é inegável que os hilários ataques
de Beatriz com os profissionais envolvidos na reforma de sua casa
têm muito do humor do besteirol. Nada contra. Débora
e Fernanda, em total sintonia, aproveitam cada vírgula do
texto e fazem de Duas Mulheres e um Cadáver uma opção
de diversão ao mesmo tempo leve e inteligente.
Duas
atrizes e um bom texto
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