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Memórias
Fios
do Tempo
Livro
de Peter Brook traz lições que extravasam os limites do palco
Eudinyr
Fraga
Biografias
podem ser exibições de vaidades pessoais ou prestação
de contas. Não são estas as preocupações
do britânico Peter Brook. Fios do Tempo (Bertrand Brasil,
320 págs, R$ 39) é
o mais recente volume de Brook, com reminiscências sobre sua
vida e sua carreira de grande diretor de ópera, cinema e
teatro.
No
livro, as pessoas que admira (ou admirou), julga-as generosamente.
Quanto às outras, ou é reticente ou as analisa com
malícia carinhosa. Não é obra para quem quer
conhecer a intimidade do autor ou mexericos sobre os famosos com
quem conviveu. O que o leitor conhecerá é sua perplexidade,
sua criativa insegurança, sua sadia intransigência,
sua permanente recusa a estrelismos, sua admirável capacidade
de amar os seres humanos. Sempre procurando fazer com que o palco
não apenas reflita o mundo, mas crie outra realidade na qual
o homem se reconheça.
Seus
atores, escolhidos de forma heterogênea, numa rica mistura
étnica, com ele trabalham anos a fio, a fim de recusar quaisquer
artifícios e resgatar uma alma que justifique o ofício
de atuar. Resta saber se os resultados, tão duramente obtidos,
não exigiriam da platéia esse mesmo estado de graça,
que permitisse apreender a espiritualidade do teatro.
O livro
interessa não só ao público específico
(teatral, musical e cinematográfico), mas também a
quem quer que se preocupe com a condição humana e
com a nossa perplexidade perante ela. A tradução de
Carolina Araújo é boa e o volume se enriquece com
fotos e com um utilíssimo índice de nomes e assuntos
citados.
Sem
mexericos e estrelismos
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