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Reportagem
Diário
de uma Expedição
Textos
de Euclides da Cunha refletem o olhar civilizado sobre o sertão
Cristian
Avello Cancino
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Reprodução
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Euclides
da Cunha: artigos sobre a guerra
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No
coração da contenda mais violenta que houve no sertão,
o engenheiro militar Euclides da Cunha abeirou-se ao recanto
mais bárbaro de nossa terra, a região de Canudos.
Isso resultou no volumoso clássico de nossa literatura,
Os Sertões, e em 25 artigos remetidos ao jornal O Estado
de S. Paulo durante o período final da guerra de Canudos,
em 1897, quando morreram 15 mil pessoas. São esses artigos
que dão corpo ao Diário de Uma Expedição
(Companhia das Letras, 301 págs., R$ 24,50).
Por
serem artigos escritos à medida em que os acontecimentos
se precipitavam, Cunha, como um estrangeiro em terra de jagunços,
não deixa de esconder o que alguns críticos apontam
como preconceito em suas descrições. O jagunço
é uma tradução justalinear quase do iluminado
da Idade Média. O
mesmo desprendimento pela vida e a mesma indiferença pela
morte, dão-lhe o mesmo heroísmo mórbido e inconsciente
de hipnotizado e impulsivo, escreve.
O que,
contudo, isenta sua epopéia barroca dessa propensão
à categorização do jagunço, é
que seu texto, à medida em que se escreve, contradiz o que
enuncia no início. Depois, os homens da República
são capazes de destripar, enforcar, impiedosos, reconhece.
Acrescentando a isso a descrição geológica
e climática precisa do sertão baiano (o que faz lembrar
Montesquieu, que atribuía ao clima certas nuanças
do comportamento coletivo dos povos do sul), Euclides
da Cunha ainda é objeto de discussões e polêmica,
o que deverá esquentar com o lançamento de Diário
de uma Expedição.
Registros
da guerra do fim do mundo
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