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Livro urbano

Paula Alzugaray

Carol Feichas
Mural do Profeta Gentileza, no Rio: tipologia original e diagramação inteligente

Quem chega ao Rio de Janeiro por uma de suas principais via de acesso, a avenida Brasil, e segue pelo Viaduto do Caju até a rodoviária Novo Rio, tem uma grata surpresa. Em meio à paisagem hostilizada pela poluição química, sonora e visual, o visitante é confrontado por uma seqüência
de murais das cores da bandeira brasileira, que anunciam mensagens de paz e sugerem a gentileza como princípio das relações humanas. Inscritas sobre o concreto de 55 pilastras do viaduto, as palavras do mítico andarilho conhecido por Profeta Gentileza (1917-1996), descortinam-se como páginas de um livro urbano ou painéis de uma exposição de arte mural de proporções monumentais.

Leonardo Guelman
José Datrino tornou-se Gentileza em 1961, para consolar as vítimas de uma tragédia

“Este é o profeta Gentileza que gera gentileza, amor, mostra a maldade da humanidade”, apresenta-se na pilastra de número 14 aquele que nasceu na cidade paulista de Cafelândia, com o nome de José Datrino. A idéia de um mundo regido pela gentileza foi pregada por Datrino desde que, em dezembro de 1961, abandonou família e profissão para assumir uma nova identidade.

Consolar os parentes das vítimas do incêndio de um circo em Niterói, mudar-se para o local da tragédia e semear ali um jardim de flores foi sua primeira missão. Como autêntica fênix que renasce das cinzas, Gentileza começou ali seus 35 anos de peregrinação. “O valor fundamental deste homem que ressurge é a gentileza. É ela que irá calçar suas relações”, diz Leonardo Guelman, coordenador do projeto Rio com Gentileza.

Produzidos nos anos 80, protegidos sob a rampa da pista do viaduto, os escritos do Caju resistiram às intempéries até 1997, quando ganharam uma camada de cal da Companhia de Limpeza Urbana. Graças à mobilização pública organizada pelo projeto Rio com Gentileza – até Marisa Monte compôs uma música em sua homenagem –, a obra foi restaurada. A parceria
entre a Universidade Federal Fluminense com empresas como
a Rodoviária Novo Rio – interessada em revitalizar seu entorno – garantiram o sucesso da empreitada. A Secretaria de Estado da Cultura também participou, mas sua contribuição decisiva acontecerá quando homologar a proposta de tombamento da obra como patrimônio cultural do município. “Estamos procurando uma saída jurídica para o caso, que é único”,
diz Zoe Chagas Freitas, presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. Segundo ela, a dificuldade está em tombar os murais dissociando-os do Viaduto do Caju. “Acho que a saída será tombar as pilastras como tótens”, diz ela.

André Durão
A leitura do mural está ameaçada por campanhas

O livro urbano, para o qual Gentileza criou uma tipografia original e uma diagramação inteligente (situa-se na altura da vista de quem chega de ônibus à cidade), tem mantido suas cores vivas protegidas por um verniz antipoluição e antipichação.

A proteção ainda não mostrou toda a sua eficiência, já que os ensinamentos
do Profeta, como respeito e gentileza, parecem ter sido assimilados pelos pichadores da região. Infelizmente, o mesmo não pode ser dito de certos comitês políticos, que já avançam com suas faixas sobre a cidade, sem escrúpulos.



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