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Família

A filha rebelde de Silvio Santos
Cintia Abravanel enfrenta depressão com terapia e trabalho no teatro que ganhou do pai, e diz que, por desinteresse dele, perdeu para a Globo os direitos da obra de Monteiro Lobato

Paula Quental

Piti Reali
Cintia em frente a um painel de Penacchi no Teatro Imprensa: rigor no trabalho e apelido de “a brava” e “pit bull”

Aos nove anos, Cintia Abravanel já tinha visto alguns dos musicais mais conhecidos da Broadway, em Nova York, como Hair e Jesus Cristo Superstar. Também foi à Disneyworld tantas vezes que costumava se sentir em casa no maior parque temático do mundo, em Orlando, nos Estados Unidos. Mas a melhor recordação da sua infância não podia ser mais simples: ela não esquece o dia em que seu tio Mário lhe mostrou o pôr-do-sol, numa fazenda no interior de São Paulo. “Ele disse que tinha pintado o céu para mim, com um pincel encantado”, conta a filha de Senor Abravanel, o Silvio Santos, um dos homens mais ricos do País, com fortuna calculada em R$ 1 bilhão. Foi garimpando lembranças mágicas, que Cintia, hoje com 37 anos, descobriu a vocação de produtora de teatro infantil. São dela as montagens premiadas de No Reino das Águas Claras e O Terror dos Mares, baseados na obra de Monteiro Lobato.

Como filha mais velha do dono do SBT, Cintia poderia ter qualquer cargo executivo dentro do Grupo Silvio Santos. Mas preferiu, há sete anos, aceitar o desafio de dirigir o Teatro Imprensa, pertencente ao grupo, mas deficitário. “Todo mundo dizia que eu era louca, que teatro não dá dinheiro, que seria melhor se eu abrisse uma franchising do McDonald’s”, conta Cintia. Mas depois de anos de indefinição profissional, ela sentiu que havia encontrado uma forma de expressar sua sensibilidade. Aproveitou a oportunidade e agradeceu ao pai. Segundo Cintia, Silvio Santos sabia antes dela própria que seu futuro estava no teatro. “Comecei a viver aos 30 anos”, diz.

Até então, Cintia havia se dedicado aos filhos, Ligia, 14 anos, Tiago, 12 e Vivian, 10, e ao ex-marido, Paulo Gomes, com quem se casou logo que terminou o colegial. A adolescência foi o período mais difícil da sua vida. Aos 14 anos, perdeu a mãe, Maria Aparecida, vítima de câncer. “O público só ficou sabendo de nossa existência quando ela morreu”, disse, com uma pitada de mágoa. Pouco depois, assistiu ao casamento do pai com a sua atual mulher, Íris, com quem não se dá bem até hoje. “Passei muito tempo perdida, tentando ser o que as pessoas achavam que deveria ser a filha de Silvio Santos. Mas nunca estava à altura dessas expectativas. Falo alto e não ligo para me vestir bem, e aqui no teatro, se precisar, eu coloco a mão na massa, varro o chão”, diz ela.

O peso de ser filha de um homem famoso e bem-sucedido é uma das questões que Cintia leva para o divã do analista desde o início do ano, quando se deu conta de que sofre de depressão. “Isto é uma doença mesmo, não é frescura. Tudo estava tão bem na minha vida e eu continuava infeliz”, diz ela. “Precisei tomar remédios, mas também fui fazer análise para me dar o direito de errar, sou muito perfeccionista.” Ela acredita que já está aprendendo a lidar com conflitos, inclusive com as irmãs do segundo casamento de seu pai, Patrícia, Daniela, Rebeca e Renata. Cintia é discreta e se nega a falar da sua madrasta e de suas meias-irmãs. Uma amiga, no entanto, diz que Cintia é muito diferente delas, e totalmente desprendida de status e dinheiro. Com a outra irmã, Silvia, como ela adotada por Silvio e Maria Aparecida, ela não tem problemas. “Sou desligada de bens materiais, mas recebo mesada de meu pai. Não preciso me preocupar com a sobrevivência ou o futuro dos meus filhos. Então, posso sonhar”, ela diz.

Mas nada é fácil em teatro, mesmo para uma produtora que tem um pai muito rico. Quando resolveu produzir o primeiro musical, No Reino das Águas Claras, há três anos, ela peregrinou por várias empresas sem conseguir patrocínio e acabou fazendo um empréstimo de R$ 200 mil. Só depois de oito meses em cartaz, o musical conseguiu os primeiros patrocinadores. “Agora sei que nunca se deve fazer um empréstimo assim para teatro, é muito arriscado”, diz ela, que ainda está administrando a dívida. Na época, Cintia havia conseguido exclusividade dos direitos da adaptação da obra de Monteiro Lobato para tevê, cinema e teatro. Esses direitos acabaram provocando uma briga sua com a direção do SBT. “Pedi a meu pai e aos diretores que levassem Monteiro Lobato para a tevê. Eles não quiseram e nós perdemos os direitos para a Globo, que vai reeditar O Sítio do Pica-pau Amarelo”, conta Cintia. Por uma brecha do contrato, ela ainda poderia levar para a emissora do pai uma adaptação da sua peça. “Quando o pessoal do SBT descobriu isso me procurou querendo meus musicais para a tevê. Aí eu disse que não”, conta.

Geniosa, a primogênita de Silvio Santos sabe dar o troco, não é à toa que ganhou o apelido de “a brava” e “pit bull” entre os funcionários do teatro. Mas nem por isso, é menos querida e admirada. “Ela é uma batalhadora, faz jus ao sobrenome. Tem humildade para aprender e chegou para vencer”, elogia o advogado Sérgio D’Antino. A intransigência de Cintia com o desleixo no trabalho contrasta com seu lado generoso e humano. Pelo menos uma vez por semana, ela visita favelas da capital para entregar pessoalmente agasalhos e cobertores que consegue juntar em campanhas junto a escolas e ao público do teatro. Planeja fundar uma instituição para ensinar arte a crianças carentes. “Monteiro Lobato diz que sonhar é importante. Através da arte essas crianças passariam a ter esperança”, diz a produtora, que uma vez viu todo o tesouro do mundo num pôr-do-sol contemplado ao lado do irmão de sua mãe, o empresário Mário Albino Vieira. O outro grande sonho da filha do dono do Baú da Felicidade, é comprar um caminhão e sair pelo Brasil afora com um grupo de teatro itinerante. “Queria que o teatro chegasse de graça às pessoas que não podem pagar”, diz a filha de Silvio Santos.

Briga com o pai pelos direitos
de Monteiro Lobato

Na foto ao lado, Cintia aparece com bonequinhos dos personagens Emília e Visconde de Sabugosa, de Monteiro Lobato. Ela conseguiu exclusividade dos direitos de adaptação de obras do autor para cinema, tevê e teatro. Mas teria um prazo para iniciar estas produções, senão perderia o privilégio. Com dinheiro emprestado montou No Reino das Águas Claras no teatro. Mas não conseguiu ajuda de Silvio Santos para levar a obra para o SBT e perdeu os direitos para a Globo. Por uma brecha no contrato, Cintia ainda poderia levar para a emissora do pai uma adaptação da sua peça, mas quando foi procurada pelos executivos do SBT, se vingou dizendo um sonoro não ao projeto.

 

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