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Revelação
Rebelde
com causa
Julia Feldens raspou a cabeça na adolescência e aos 18 anos saiu
sozinha de Lageado, no Rio Grande do Sul, para viver em São Paulo
e se tornar atriz
Viviane
Rosalem
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l
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“Julia
é um grande talento e está se saindo muito bem”, diz Tony
Ramos, que faz o papel de pai da atriz em Laços de Família
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Não
é fácil para a atriz Julia Feldens, 22 anos, a contestadora
Ciça da novela Laços de Família, da
Rede Globo, incorporar sua personagem. Já vai longe o tempo
em que ela também era rebelde de carteirinha com a cabeça
raspada e as roupas rasgadas, pronta para desafiar os professores
no colégio, em Lageado (RS), onde nasceu e viveu até
os 18 anos. A fase típica da adolescência passou, e
Julia hoje se considera tranqüila e até tímida,
mas sempre determinada. A sobrinha, Luana, de 14 anos, é
o modelo de revoltadinha que a inspira para compor seu papel. Ela
quer abraçar o mundo, fazer tudo ao mesmo tempo, tem a pulsação
e energia da Ciça, define.
Filha
de descendentes de alemães, o engenheiro agrônomo Leopoldo
e a artista plástica Dinorah Feldens, Julia teve educação
rígida, diferente da relação de sua personagem
com o pai, o livreiro Miguel, papel feito por Tony Ramos, de quem
ela ficou amiga. Gostaria de ser como a Ciça. Ela diz
o que pensa, eu sou diplomática e política,
comenta a atriz. Caçula, ela sempre foi protegida e paparicada
pelos irmãos mais velhos, Alexandre, 33 anos, Dinamara, 32,
e Luciana, 30. Mas isso não a impediu de ter personalidade
forte.
Aos
18 anos, ao ingressar na Faculdade de Psicologia, já sabia
que não concluiria o curso. Ao final do primeiro semestre,
largou tudo e se mudou sozinha para São Paulo. Estava
cansada daquela cidade, de fazer sempre as mesmas coisas. Queria
experimentar, ir além das fronteiras gaúchas,
conta. Os pais ficaram surpresos mas não se opuseram à
decisão. Pelo contrário, financiaram a viagem e os
gastos iniciais da filha.
Ela
chegou a São Paulo sem saber o que fazer, mas, antenada,
logo estava participando de testes para o elenco da peça
Hamlet. Aprovada pelo diretor Ulisses Cruz, ganhou o papel de Ofélia.
Antes eu só gostava de teatro. Mas durante os nove
meses de ensaio tive a certeza de que queria ser atriz, conta.
Não foi fácil o começo na metrópole.
Julia não tinha amigos e dizia não acreditar em nada,
nem em Deus. Tenho fé em mim mesma, ela afirma.
NA
CASA DOS COLEGAS Até alugar um apartamento, ela dormia
na casa dos colegas do teatro. Falava com meus pais pelo telefone,
mas não tinha saudades e não queria voltar,
conta. Quando se sentia sozinha, driblava a melancolia com seguidas
sessões de cinema. Até hoje, se estou triste,
adoro assistir a bons filmes, conta a atriz, que fez terapia
para assimilar as mudanças. Mais adaptada, Julia não
se abalou quando a peça acabou e ela ficou sem emprego. Minha
mãe queria que eu voltasse a qualquer custo, mas eu dizia
que iria me matar se ela viesse me buscar, lembra a atriz.
Os pais se acalmaram quando ela foi convidada por Gilberto Braga
para participar da novela Força de um Desejo.
Foi
uma fase tranqüila e ela se mudou para o Rio. Seu rosto novo
na televisão e o desempenho não passaram despercebidos.
Manoel Carlos e o diretor Ricardo Waddington a chamaram para Laços
de Família. Julia não pretende ser arrogante ao
dizer que ainda quer muito mais. A tevê não é
meu objetivo. Quero fazer cinema, afirma a atriz, contratada
da Globo até janeiro de 2001. Se depender da admiração
dos amigos, ela ainda chega lá. Julia é um grande
talento e está se saindo maravilhosamente bem na novela,
derrete-se Tony Ramos, que a chama de filha mesmo quando estão
fora dos estúdios de gravação. Ele
supre minha carência de pai. E me contagia com sua alegria
jovial. Conta piadas, é supergeneroso e me dá vários
toques, diz ela.
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