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Família

O herdeiro que pode unir o clã do rei
Pelé pensa em conhecer seu novo neto, Gabriel, filho de Sandra Regina, com quem o ex-craque não se relaciona

Gustavo Maia e Marianne Piemonte

Foto: Piti Reali
“Ele nunca visitou o Octávio, meu primeiro filho. Nem mesmo ligou para saber se ele existia. Não virá mesmo’’ Sandra Regina Arantes do Nascimento

Mal chegou ao mundo, o bebê Gabriel Arantes do Nascimento Felinto pode vir a ser a razão de uma aproximação que, até o momento, era tida como improvável. Sua mãe é Sandra Regina, 35 anos, filha biológica do rei do futebol, que até hoje nunca foi aceita por ele. “Se eu tiver tempo, visitarei o bebê”, disse Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, pela primeira vez, durante um intervalo de gravação de um comercial de vitamina, na terç a-feira 18. “Ele nunca visitou o Octávio, meu primeiro filho. Nem mesmo ligou para saber se ele existia. Não virá mesmo”, rebateu Sandra, cética quanto à provável aproximação com o pai.


Pela primeira vez Pelé deu sinais de interesse por notícias de Anísia Machado, a mãe de Sandra, com quem teve um relacionamento de três meses no final de 1963. “Gostaria de saber por onde ela anda. Eu era jovem quando nos relacionamos e não nos vimos mais”, disse Pelé. “Ele fala isso para não comprometer a sua imagem. Nunca me procurou, nem à Sandra, como um pai”, retruca Anísia, que teve seu último contato com o ex-craque do futebol, hoje empresário, aos 18 anos, época em que confidenciou sua gravidez ao então namorado. “Ela sim teve a dignidade de nunca procurar a imprensa”, alfinetou Pelé referindo-se à filha distante.

Os atritos entre Sandra e Pelé começaram em 1991, quando a jovem procurou o ex-jogador, alegando ser filha dele. Descrente, Pelé pediu um exame de DNA e prometeu à menina que, caso fosse comprovada a paternidade, ele assumiria suas responsabilidades. O resultado positivo saiu em 1992. Pelé não hesitou e recorreu à Justiça contestando a veracidade do resultado. “Não entendo essa atitude. Até aquele momento, eu só queria ser reconhecida como filha dele”, diz Sandra. Em contrapartida, ela move na Justiça, uma ação de indenização por danos morais e abandono por parte do pai. A briga judicial não parou por aí. Durante os cinco anos de processo para reconhecimento de paternidade, Pelé relutou em aceitar a filha, movendo contra ela 13 recursos. “Foi ela que criou todo o mal estar, quando procurou os jornais e a televisão”, disse o rei.

Foto: Pti Reali
Octávio, 1 ano e dez meses, com a bola: conhece o avô pelos jornais e pela televisão

MAL ESTAR A esperança de um relacionamento amigável degringolou em 1996. No meio do processo para reconhecimento de paternidade, Pelé chamou-a para um encontro na casa de sua irmã Lúcia, em Santos. Sandra aguardou na sala, até a chegada do pai. Ele chegou apressado e a conversa não passou dos 20 minutos. “Ele me disse que deveríamos acabar com essa situação, por isso tinha chamado uma equipe de TV para filmar-nos juntos”, lembra. Sandra perguntou o motivo da presença da imprensa e Pelé disse que o impasse estava pegando mal. “Para me incentivar a posar para as câmeras, ele me disse que era a minha última chance de tê-lo como amigo”, conta. “Não quis participar daquela cena armada”, diz Sandra, que ficaria sabendo mais tarde, que as imagens seriam veiculadas em um programa político de um amigo de seu pai.

Foto: Silvia Santana
“Se eu tiver tempo, visitarei o bebê da Sandra. Ele não tem nada a ver com essa briga entre nós dois’’ Pelé

EM CAMPANHA Sandra conheceu seu atual marido, Oséas Felinto, em 1997. O namoro durou quatro meses e o casal trocou alianças. Um ano mais tarde nasceu Octávio, o primeiro neto do atleta do século, cujo rosto ele conhece apenas pelas páginas dos jornais. Abraçou a política quando seu nome saiu do anonimato, pois a Justiça permitiu que o sobrenome mundialmente famoso Arantes do Nascimento pudesse ser usado por ela. Sua primeira tentativa foi ser suplente do vereador Tomas Soderberg (PSP).


Chegou a sentar numa cadeira da Câmara Municipal por 30 dias. Nessa fase, levantou dados sobre crianças abandonadas e descobriu que no Brasil, 300 mil registros de nascimento não contam com os nomes dos pais, devido à ausência do reconhecimento de paternidade. De posse dessas informações, ela arregaçou as mangas e convenceu os vereadores a aprovar uma lei que obriga o município a prestar auxílio psicológico às crianças deixadas pelos pais. “As pessoas ligam para me contar suas histórias. Acho que me tornei uma espécie de conselheira nesse assunto”, diz Sandra.

Agora Sandra Regina quer garantir seu vôo solo. É candidata, pelo PSDB, a uma vaga na Câmara Municipal de Santos, reduto esportivo de seu pai. O PSDB é o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, que teve Pelé como seu ministro extraordinário dos Esportes, na primeira gestão. Além da política, Sandra se dedica ao evangelho. Passou os últimos meses voltada à gravidez, ao filho Octávio e à campanha. Aproveita o sobrenome que tem para angariar votos dos eleitores santistas: “Vote na filha do Rei, Jesus”, diz seu slogan político que faz analogia discreta ao nome do pai. “Se for eleita, meu maior projeto é institucionalizar o exame de DNA gratuito para as mães abandonadas”, promete.

De volta ao estúdio

Pela primeira vez em 20 anos, Pelé deixou a imprensa acompanhar, na terça-feira 18, a gravação do comercial da Vitasay, da qual é garoto propaganda desde 1980. “Só parei de fazer os comerciais quando fui ministro dos Esportes, a pedido do Fernando Henrique”, explicou. O astro chegou às 13h30, acompanhado de uma secretária e um segurança. Além das vitaminas, Pelé fez, no mesmo dia, um filme para a marca Gelol. “Já havia recebido convites deles. Aceitei porque passei a usar o produto. Com a idade, sinto dores e aderi ao gel”, contou. A produção começou às 14hs e terminou à noite. Tudo porque o rei fazia questão de repetir vários takes. Antes do estalar da claquete, Pelé fez alguns abdominais, fingindo um aquecimento para provar que está em boa forma. “Parei de jogar há 20 anos, mas nesse tempo só engordei três quilos”, disse vaidoso.

 

 

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