CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Foco

Circuito inviável

Ramiro Zwetsch

Claudio Gatti
Apesar do bom desempenho de bilheteria, o filme de Sérgio Bianchi (acima) está restrito a quatro salas

Em exibição em quatro salas de cinema em todo o Brasil há três meses e meio, Cronicamente Inviável alcançou feitos grandiosos. Há duas semanas, o filme apareceu na lista de Gente em nono lugar no ranking nacional de bilheteria, com 2.500 espectadores em um final de semana. Esse total sinaliza uma média de mais de 600 pessoas por sala – inferior somente aos números anotados por Dinossauro, Pânico (duas estréias daquela semana) e Missão Impossível 2. O filme é o quarto da carreira do cineasta Sérgio Bianchi, 55 anos, que já havia filmado Maldita Coincidência (1979), Romance (1988) e A Causa Secreta (1994).

Nenhum deles, no entanto, repercutiu como Cronicamente Inviável. A fita será exibida na Suíça, onde concorrerá com 19 filmes de 15 países na mostra competitiva da 53ª edição do Festival de Cinema de Locarno.

O evento – considerado um dos mais prestigiados da Europa – acontece entre 2 e 12 de agosto. “Estou curioso para ver como eles vão reagir a certas abordagens e assuntos muito ligados à realidade latina”, diz o cineasta. Cronicamente Inviável desenha o cenário social brasileiro sob a ótica crua e nada otimista de um escritor que roda o Brasil reunindo informações para seu livro. Acompanhando vários personagens paralelamente, o filme expõe contradições enraizadas na sociedade que favorecem o agravamento da desigualdade social e a falta de solidariedade.

Preconceito, submissão, autoritarismo, egoísmo, mau humor, cinismo, alienação e peso na consciência gritam na tela para inquietar o espectador. “O filme não tem uma solução, um herói. O objetivo é fazer pensar”, argumenta o diretor. “É minha forma de ver a realidade”. Com exibição em apenas quatro salas do País, o que está se tornando “cronicamente inviável” é cobrir o modesto orçamento do filme, de R$ 1,5 milhão. Mesmo com a boa média de público por sala, o filme arrecadou até agora R$ 250 mil. “A distribuidora (Rio Filme) achou que o filme não era popular”, lamenta Bianchi. “Fizeram poucas cópias com a justificativa de que os exibidores só pegam blockbuster americano e não querem passar filme brasileiro.” Mas a realidade é surpreendente. A Musa, comédia com Sharon Stone, é éxibido em 33 cinemas do País e anotou média de 565 espectadores por sala no fim de semana de estréia. O filme de Bianchi anota média superior desde que está em cartaz, há onze semanas.

Desanimado com a falta de perspectiva de uma ampliação do circuito, Bianchi já começa a pensar no novo projeto. Sua intenção é concentrar-se em outro filme assim que voltar do Festival de Locarno. “Estou pensando em fazer um filme otimista em que dá tudo certo”, ironiza Bianchi. “Um musical para cantar a utopia.”

 Cinema
Bilheteria
Livros
Sérgio Corrêa da Costa
Música
Televisão

Fique de olho

No Ibope
Teatro
Exposição


| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três