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Drama
A
dor de Hebe
A apresentadora, que não assumia compromissos no final de semana
para ficar com Lélio Ravagnani, perde o companheiro de 25 anos
Paula
Quental e Rose Delfino
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Marina
Malheiros/AE
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“Infelizmente
não posso mais ter Lélio. Jesus o quer ao seu lado”, diz Hebe
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Louco
por chocolates, o empresário Lélio Ravagnani tinha de comê-los de
forma comedida. Como quem administrava a saúde do marido com pequenas
porções de carinho, a cada noite Hebe Camargo colocava três bombons
importados na sua mesa de cabeceira. Há 23 dias este ritual afetivo
foi interrompido -- e desta vez para sempre. Lélio Ravagnani, companheiro
há 25 anos da mais tradicional apresentadora da televisão brasileira,
morreu aos 78 anos, às 16h20 de terça-feira 18, no Hospital Albert
Einstein, em São Paulo, onde estava internado. Na vida de Hebe,
o que antes era doçura, será, por algum tempo, sofrimento. Nos próximos
dias, ninguém mais vai ouvir suas sonoras gargalhadas.
“Agradeço
o apoio de todos. Infelizmente não posso mais ter Lélio comigo.
Jesus o quer ao seu lado”, disse Hebe durante o velório do marido,
na noite de terça-feira 18. Os óculos escuros mal disfarçavam a
profunda tristeza, o rosto inchado por um drama que começara no
sábado 26 de junho, quando Lélio foi hospitalizado com dores no
peito.
Ele
tinha duas pontes de safena, que estavam obstruídas. Um exame de
cateterismo revelou insuficiência coronária e Lélio foi submetido
a uma cirurgia de urgência para irrigar o coração. Em 3 de julho,
os médicos constataram o início de um processo de falência múltipla
dos órgãos vitais, em função da precária circulação sangüínea. Em
seguida, os rins pararam e foi tentada a hemodiálise. As funções
do fígado e pulmão também estavam comprometidas. Entubado e sedado,
Lélio foi enfraquecendo aos poucos.
Hebe
perdia as esperanças à medida que o estado dele se agravava. A apresentadora
deixou de ir ao hospital nos últimos dias porque não queria ver
Lélio tão debilitado. “Ela dizia que era terrível encontrar um homem
como ele, que sempre gostou das coisas boas da vida, entubado sem
poder falar e se locomover”, relata Helena Mottin, amiga de longa
data do casal. “Hebe saia do Einstein arrasada.” Em casa, diante
do altarzinho de Nossa Senhora, rezava, embora soubesse que o quadro
clínico do marido era irreversível. O boletim assinado pelo médico
José Henrique Germann Ferreira deu como causa da morte a falência
múltipla dos órgãos e sistemas.
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Marina
Malheiros/AE
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Hebe
Camargo, às 10h30 da quarta-feira 19, minutos antes
do último adeus a Lélio
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Hebe
chegou ao velório do marido às 22 horas da terça-feira 18. Mais
de uma vez, ela não conteve a emoção ao se debruçar sobre o esquife
lacrado sobre o qual estava um retrato de Lélio desenhado a carvão
pela filha, Leila, e datado de 7 de junho. Hebe chorou também ao
ser abraçada pelo ex-governador Paulo Maluf. “Lélio era um exemplo
de caráter e honestidade”, declarou Maluf.
Outros
amigos como Silvia Poppovic, Carlos Alberto de Nóbrega, Olacyr de
Moraes, Betty Szafir, Adriane Galisteu, Lolita Rodrigues e Fausto
Silva levaram sua solidariedade à família. Xuxa e Roberto Carlos
telefonaram, Alexandre Pires, Leonardo e o prefeito Celso Pitta
mandaram coroas de flores. Consolando a madrinha da televisão, Adriane
Galisteu pediu-lhe que não perca o brilho. “Ela é forte e saberá
superar a tristeza”, disse. As espectadoras de seu programa no SBT,
nas noites de segunda-feira, notaram como Hebe estava abatida. Apesar
disso, os mais próximos acreditam que ela voltará rapidamente à
televisão. “A melhor forma de enfrentar a dor é trabalhar. Vamos
estimular esse retorno”, disse o empresário Olacyr de Moraes.
ÚLTIMO
ADEUS
Lélio e Hebe faziam uma parceria e tanto, testemunham pessoas
que conviviam com o casal. Ele era um eterno apaixonado, deixava
bilhetinhos para ela quando saía cedo de casa, e sempre voltava
para o almoço. Também a presenteava mesmo quando não havia qualquer
motivo especial. Todas as sextas-feiras, os dois jantavam no restaurante
O Leopolldo, um dos endereços chiques da cidade. Hebe usava seus
novos vestidos e exibia jóias exuberantes. Lélio tomava seu uísque
devagar, enquanto a mulher fulgurante distribuía atenção e sorrisos.
Ao contrário dela, o empresário era introvertido, mas quando decidia
falar, tinha sempre uma frase espirituosa. Era elegante, cortês
mas impositivo. E Hebe respeitava seus desejos. Para estar com ele,
nunca marcava compromissos nos finais de semana.
Lélio
foi enterrado às 10 horas da quarta-feira 19, no Cemitério do Morumbi,
depois de uma missa celebrada pelo padre José Stella. O cantor Sérgio
Reis lamentava a perda: “Adorávamos pescar juntos”. Hebe, que passara
a noite no velório, não acompanhou a cerimônia. Ficou em seu carro,
uma Mercedes prateada, amparada pelo filho, Marcello. Mas juntou-se
ao cortejo para o enterro, que foi rápido e silencioso. Ao final,
ela tirou um botão de rosa de uma coroa, beijou a flor e a colocou
sobre a lápide. Se para ele foi o final da agonia imprevista, para
ela resta a saudade.
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