CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Mel Gibson

“Sempre acordo com medo”
Herói do filme O Patriota, o ator americano é católico, fuma como louco e tem pesadelos com acidentes que possam vitimar seus filhos

Marcelo Bernardes, de Nova York

Foto: Divulgação
“Sempre pondero muito quando recebo convites. Sei que, em algum momento, vou olhar para trás e perguntar: por quê merda eu fui fazer aquele filme?”

Como você lida com seus filhos mais velhos, já adolescentes? Li que sua única filha está prestes a ter uma vida independente.
Você sabe que eles não vão fazer o que você diz. Querem seguir o rumo deles e ter sua própria voz ativa. Eu apenas rezo muito para que não sejam feridos, para que não se matem, para que cresçam fazendo algo útil.

Adolescentes são mais difíceis?
Sim. Eu tenho pesadelos horrorosos de vez em quando. Vejo um filho meu debaixo de um carro. Acordo suando. É a pior sensação para um pai.

Não dá para segurá-los, não é?
Adolescência é um processo penoso para eles e para os pais. Eles querem traçar o caminho, mas ao mesmo tempo você tem que se mostrar presente. Quando eles se sentirem um pouco machucados, vão chamar.

Há uma cena forte em O Patriota, na qual dois de seus filhos, com menos de 10 anos, pegam armas e abrem fogo contra um pelotão, para dar retaguarda ao pai. Não é irresponsável mostrar crianças provocando tal matança?
Por que seria? Esse é um filme sobre uma guerra sangrenta, sobre o instinto de sobrevivência. Você acha que as crianças também não lutaram? Devemos omitir o que aconteceu?

Mas hoje, por conta de vários incidentes violentos entre adolescentes, Hollywood vem sendo culpada por oferecer imagens fortes e gratuitas. Seus filhos assistiram ao seu filme?
Claro, todos. Só não foi o de 14 meses, que não entende nada ainda. A cena a que você se refere é o momento de um pai em agonia. Não havia nada que podesse ser feito.

Você tenta ser moralmente responsável ao assumir um projeto?
Sim. Sempre pondero muito quando recebo convites. Sei que, em algum momento, vou olhar para trás e perguntar: por quê merda eu fui fazer aquele filme? Mas geralmente a resposta é a mesma: naquele tempo parecia uma escolha adequada.

Pode dar um exemplo disso?
Eu ofenderia muita gente se dissesse.

Gladiador, Mar em Fúria e O Patriota são filmes que apresentam um novo tipo de herói, o patriota bronco e brutamontes. O que você acha dessa nova tendência?
Minha teoria é que os heróis estavam ficando chatos e maçantes. Então, precisávamos ser um pouco mais John Wayne: valente, raivoso, mas com uma pontinha de fraqueza.

Não tem medo de mostrar fraqueza num filme?
Absolutamente. A fraqueza é algo real e tangível. Eu me identifico muito com a fraqueza, porque todos os dias acordo sentindo pontadas de medo.

Em Coração Valente, assim como em O Patriota, os ingleses são os vilões da história. Como o filme será recebido no Reino Unido?
É, nós estamos dando um break aos alemães (risos). O que posso dizer? Alguém tem que ser o bandido. Todo país tem um passado negro e, nesse aspecto da guerra revolucionária, o inimigo era a Inglaterra. Os vikings costumavam bater nos ingleses, os alemães nos franceses, os americanos dizimaram aldeias no Vietnã.

Você nasceu em Nova York, mas foi criado na Austrália. Sente-se mais australiano ou americano?
Sou um híbrido. Estive em vários lugares. Gosto dos dois países, mas existem vários lugares nesse mundo para se morar bem. Os EUA são um país com inúmeras imperfeições, mas ainda são um dos melhores para se viver. Ninguém ainda bateu isso aqui.
E eles falam inglês!

Em recente referendo na Austrália, a população decidiu manter a monarquia. O que você acha?
Uma grande decisão. Era contrário à extinção da monaquia. Se a Austrália tivesse virado uma república, certas liberdades garantidas pela coroa poderiam ter sido perdidas.

Mas várias repúblicas modernas gozam da mesma liberdade que a Inglaterra ou a Austrália.
Esses países copiaram as melhores coisa da monarquia, ou seja, a liberdade soberana. Em alguns países, não se pode escolher um trabalho, um casamento, um carro ou um cavalo para transporte. Todos esses direitos básicos com os quais Deus abençoou as pessoas. E o que eu temo são
períodos de transições políticas. É preciso tomar cuidado antes de trocar o regime de governo de um país.

Os astros de Hollywood, além do cachê, agora exigem compensações extras, como porcentagem da bilheteria. Seu contrato em O Patriota foi assim, não?
Dou risadas. Sério (começa a rir). Isso é tudo o que eu tenho a fazer. Rir no caminho para o banco.

Seu cachê é alto, você sabe para onde todo esse dinheiro vai?
Claro. Você não sabe do seu salário?

<< Anterior



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três