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Ciência

O nosso doutor gene
O trabalho do médico Sérgio Pena coloca o Brasil no primeiro mundo na área da genética, no momento em que a medicina desvenda os mistérios do DNA

César Guerrero, de Belo Horizonte

Piti Reali
“Nosso laboratório tem condições de competir com qualquer país do mundo no campo da genética clínica”, orgulha-se

No dia 26 de junho, o Projeto Genoma Humano anunciou que o código com três bilhões de letras estava praticamente decifrado. Bill Clinton, o presidente dos Estados Unidos, e Tony Blair, o primeiro-ministro inglês, uniram-se para dar a notícia ao mundo. Para o Brasil o evento não teria a mesma dimensão, se não fosse o trabalho do mineiro Sérgio Danilo Pena, 42 anos. Alguns segredos do DNA começaram a ser desvendados por este geneticista em 1988, quando tornou-se o primeiro médico da América Latina a realizar o exame de investigação de paternidade, em Belo Horizonte.

Dez anos depois, o pioneirismo o levou a um índice de acerto de 99,999%, em apenas 24 horas. Um recorde mundial. A rapidez garantiu seu ineditismo. Até então, resultados com tal precisão eram divulgados em dez dias. “O laboratório pode competir com qualquer país do mundo no campo da genética clínica”, diz.

O domínio da técnica o colocou em contato direto com a comunidade científica internacional e o transformou num craque da área. No dia 25 deste mês, ele estará em Washington para uma reunião com Craig Venter, um dos coordenadores do Projeto Genoma. Seu nome é garantia de sucesso nos bancos acadêmicos e nos negócios, apesar de não estar diretamente ligado ao projeto Genoma. Pena, pode-se dizer, atua como uma espécie de consultor.

Seu laboratório, o Gene – Núcleo de Genética Médica, criado em 1982, na capital mineira, tem duas filiais – uma em Brasília e outra em São Paulo. A fama do especialista começou com os exames de paternidade de celebridades como Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Ele submeteu-se ao teste para confirmar que seria o pai de Sandra Regina Machado, assim como Roberto Carlos e o jogador de futebol Edmundo.

FICÇÃO CIENTÍFICA
Sérgio Pena gasta metade do seu dia com o trabalho. Às quartas-feiras, bate o ponto na sede paulistana do Gene. Nesse dia, aproveita para implantar um laboratório no Hospital do Câncer, onde aplicará a tecnologia desenvolvida pelo Projeto Genoma do Câncer, da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Também é professor-titular do curso de doutorado da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A correria garante um padrão de vida invejável.

Ao lado da mulher Betânia Maria de Andrade Pena, 48 anos, o médico mora em um apartamento de 500 metros quadrados na capital mineira. Lá, o casal montou um santuário de obras de artes. O xodó é a escultura Guanabara, do artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti. As paredes exibem obras de Manabu Mabe e Tomie Otake.

Se arte é um passatempo, desvendar o DNA transformou-se em vocação. Essa curiosidade despertou ainda na adolescência, quando devorava a ficção científica de Isaac Asimov. Recém-formado na UFMG, Sérgio Pena se casou e foi fazer residência nos Estados Unidos. Depois de morar por três anos na Carolina do Norte, cursou o doutorado na Universidade de Manitoba, em Winnipeg, no Canadá. Em Montreal, foi professor da Universidade McGill. Ficou fora do País durante 12 anos, mas sempre em companhia da mulher. Em 1982, o casal retornou à capital mineira, cansado do frio e dos hábitos canadenses do filho Frederico, 24 anos, administrador de empresas, que hoje mora em São Paulo. “Ele só esquiava e andava de patins”, relembra Betânia. “Queria que jogasse futebol e tivesse raízes brasileiras.”

A idéia de montar um laboratório de genética surgiu ao planejar sua volta ao Brasil. Para abraçar a empreitada, Betânia abandonou a carreira de historiadora e ajudou o marido no novo projeto do laboratório. Hoje, ela é a diretora administrativa do laboratório. E ainda o ajuda a conciliar as atividades científicas com o cargo de síndico do prédio. “Ele é organizado, por isso consegue fazer tudo isso”, diz Betânia.

 

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