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Passarela
O
sabor do sucesso
Sandro Mencarini pensou em ser mecânico, trabalhou como jardineiro
e foi um dos modelos mais aplaudidos na IX edição do MorumbiFashion
Rodrigo
Cardoso
| Edu
Lopes |
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| “Antes
de ser modelo, nunca tinha tomado champanhe. Só Sidra Cereser”,
diz ele |
Moreno,
olhos e cabelos castanhos, 1,86 m, 98 cm de tórax e 40 de
cintura, o paulista Sandro Mencarini dividia com Luciano Huck a
passarela da grife de Ricardo Almeida no MorumbiFashion quando ouviu
aplausos e avistou suspiros da platéia feminina. Achou que
o alvo da tietagem era o apresentador da Globo.
No
dia seguinte, com sua foto estampada nos jornais, não teve
dúvidas: era por ele que elas deliravam. Me dá
quatro desse jornal aqui, brô, disse ele eufórico
a um jornaleiro, pontuando sua frase com a gíria, corruptela
de brother, e escolhendo quatro exemplares para mostrar à
família. Em seu primeiro desfile da temporada, Mencarini
foi a revelação masculina da nona edição
do evento.
Aos 22 anos, Sandro dobrou sua participação nos desfiles
fez oito este ano contra quatro da edição passada
e arrasou na temporada fashion paulista aparecendo como uma
espécie de Paulo Zulu da vez, referência ao modelo
surfista, que brilhou na edição passada e em seguida
foi convidado para participar da novela Laços de Família,
da Globo. Mencarini recebeu R$ 5,6 mil por seus desfiles. Não
me acho bonito. Tenho uma orelha mais alta do que a outra,
diz ele, sem esconder a pretensão de também chegar
à tevê. Antes da consagração como um
novo sex symbol das passarelas, ele já pensava seriamente
no assunto, tanto que há quatro meses faz um curso de interpretação,
com aulas uma vez por semana. Não existe ator que faz
comercial? Por que eu, que trabalho fazendo comerciais, não
posso ser ator?, questiona.
SERVIÇO
PESADO Até quatro anos atrás, Sandro ajudava o
pai jardineiro. Eu limpava terrenos, descarregava terra de
caminhão, lustrava plantinhas e arrumava jardim, lembra.
Muitas vezes foi paquerado pelas clientes, mas não dava bola.
Pensava em ser mecânico e só decidiu procurar uma agência
de modelos depois de ser muito elogiado por uma garota durante uma
festa. Agora que se tornou famoso é ainda mais assediado.
A mulherada está punk. A gente tem de ficar
esperto para não viver só em função
de sexo, diz. Ele costuma sair sempre com uma modelo. Seu
nome é Daniela, de 21 anos, mas ele garante que por enquanto
não está namorando.
| Edu
Lopes |
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| Mencarini
faz curso de interpretação e quer ser ator |
Para
o garoto que recebia do pai R$ 200 por mês, a vida de modelo
é mais do que compensadora. Em seu primeiro trabalho, ele
ganhou R$ 2 mil. E mais do que isso, a nova profissão lhe
apresenta um mundo cheio de novidades e glamour, bem diferente daquele
que conheceu na infância e adolescência. Tomei
champanhe pela primeira vez depois de me tornar modelo, antes só
tinha experimentado Sidra Cereser. Também não conhecia
a região dos Jardins, o lugar mais chique de São Paulo,
conta.
Seus
pais e os dois irmãos, um mais velho e outro mais novo, vivem
até hoje no Jardim Peri, bairro de classe média-baixa
da cidade. Moramos no topo de um morro, conta sua mãe,
Caterina Mencarini, 54 anos. As vizinhas sempre disseram para
eu tomar cuidado com meu filho, porque ele era muito bonito e eu
poderia perdê-lo logo para outra mulher.
Sandro
já trabalhou em Milão, Nova York e Japão desfilando
para grifes famosas como Dolce & Gabbana e Ferré. Fez
editoriais para a revista americana Cosmopolitan e foi clicado
pelo fotógrafo Bob Wolfenson para a campanha do Dia dos Namorados
do Shopping Iguatemi, em São Paulo. Hoje mora com sete colegas
em um apartamento de dois quartos. Mencarini cozinha para si mesmo.
Visita os pais nos finais de semana, saboreia as massas caseiras
preparadas pela mãe de família italiana. Para se divertir
pratica skate e ouve rock. Prefere não comer fora e nem gastar
com bobagens. Guarda suas economias para comprar um carro.
Se
tudo der certo, seu sonho será logo realizado. Depois da
performance no MorumbiFashion, foi escalado para oito desfiles do
Barrashopping ainda este mês e vem recebendo diversas propostas
de trabalho, que sua agência, a LEquipe, estuda e só
vai divulgar depois de fechar os contratos.
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