CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Por onde anda

O peso de ser ex-galã
Mário Cardoso trabalhou como psicólogo, diz que a Globo o esqueceu e hoje dubla Digimon enquanto ensaia volta ao teatro

Luís Edmundo Araújo

Leandro Pimentel
Mário prepara a volta à televisão em uma participação especial na Turma do Didi. “Dessa vez, farei o vilão.É ótimo”, comemora Mário

O psicólogo Mário Cardoso atendia uma paciente pela primeira vez em seu consultório em Botafogo, em 1986, na Zona Sul do Rio de Janeiro, quando a consulta foi interrompida. Ela confessou que marcara a hora apenas para conhecê-lo. Afinal, queria deitar no divã do astro de novelas como A Moreninha e Escrava Isaura. A cena se repetiu outras duas vezes na curta carreira de analista de Mário Cardoso, profissão abraçada por ele em 1986 para garantir sua sobrevivência, depois de dois anos sem conseguir ser escalado para novelas. A empreitada durou pouco. Em 1991, convidado para atuar em Brasileiros e Brasileiras, no SBT, fechou o consultório para se dedicar novamente à profissão original.

Desde então, Mário só conseguiu papéis secundários. Hoje, aos 50 anos, o ator ensaia uma volta com a peça Amigo Oculto, onde é dirigido por Marília Pêra, mas não esconde a mágoa pelo esquecimento a que foi relegado. “Houve uma mudança completa no nosso meio e, de repente, eu escapei da panela”, diz o ator, cuja última participação na Globo foi na novela Vira-Lata, em 1996. “Quem entrou, deve conhecer meu trabalho, me respeita, mas não me escala.”

A estréia de Mário Cardoso na televisão foi em Escalada, novela exibida em 1975. Em seguida, ele ganhou o papel de protagonista em A Moreninha, em 1976, e participou de Escrava Isaura, em 1977, até hoje considerada uma das novelas de maior sucesso da Globo. Com a carreira consolidada, o ator continuou fazendo novelas até 1984, quando participou de Amor com Amor se Paga. Formado em psicologia pela Universidade Gama Filho, Mário decidiu clinicar quando a situação financeira apertou. Depois de fechar o consultório, chegou a participar de Xica da Silva, na extinta Rede Manchete, e de peças de teatro, entre as quais Trair e Coçar É só Começar. Há sete anos, porém, o ator ganha a vida como dublador. A voz do ex-galã está presente nas versões brasileiras dos desenhos animados Digimon e Meninas Superpoderosas, da série Melrose e da novela mexicana A Usurpadora.

SEPARAÇÃO O rótulo de galã, aliás, é apontado pelo ator como um empecilho para sua volta às novelas. “Não sou mais o galãzinho, bonitinho, arrumadinho”, afirma. “Já posso fazer o papel do pai. Daqui a pouco, estarei fazendo o avô e ninguém sabe.” Mário diz que o mesmo problema é enfrentado por outros atores de sua geração, entre eles Reinaldo Gonzaga e Roberto Pirillo, há tempos longe das câmeras. “Falta um critério de rodízio”, diz. “Quem está dentro não sai, e quem está fora não consegue entrar.”
Ao contrário dos galãs de hoje em dia, que aparecem constantemente na mídia ao lado de novas namoradas, reais ou supostas, Mário nunca deu margem à entrada da imprensa em sua vida pessoal. Separado há um ano, o ator manteve o casamento de 25 anos com Kátia Rodrigues. “Até me ofereceram para armar romances com atrizes, mas isso nunca me interessou”, afirma, sem revelar o autor da proposta.

Apesar de separado, o ex-galã continua dividindo o mesmo teto com a ex-mulher. Como a filha, Alice, 18 anos, passou para uma faculdade particular de Odontologia, Mário concordou que a mulher continuasse morando em seu apartamento de dois quartos em Botafogo, na Zona Sul carioca, para reduzir os gastos. O ator não deixa o bom humor de lado ao comentar sua atual situação. “Na época de sucesso, tentaram fazer minha separação na mídia várias vezes”, diz. “Hoje eu estou separado e ninguém se abalou.” O outro filho do casal, Daniel, 20, estuda informática.

Além dos dez anos em que permaneceu fazendo novelas na Globo, Mário Cardoso também atuou como galã em quatro filmes dos Trapalhões. “Consegui alicerçar minha carreira em todas as áreas”, afirma. “Alguns atores de hoje não têm preparo e acabam sumindo do mercado depois de uma ou duas novelas.” O ator deixa o pessimismo de lado ao comentar seu futuro na profissão. Mário prepara a volta à televisão em uma participação especial na Turma do Didi. “Dessa vez, farei o vilão. É ótimo”, comemora. Se dependesse de diretores que trabalharam com o ex-galã, como Herval Rossano, que o dirigiu em Escrava Isaura, a volta seria mais rápida. “O Mário é um rapaz bonito e um ator aplicado. Se estivesse dirigindo alguma produção, voltaria a trabalhar com ele”, diz Herval, contratado da Globo, mas que atualmente não está à frente de nenhum programa.

O belo das
novelas de época

O visual impecável e a participação em novelas de época marcaram o início da carreira de Mário Cardoso. A estréia foi em 1975, em Escalada, como o filho dos personagens de Tarcísio Meira e Suzana Vieira. Mas o ator só passou a ser conhecido em produções que tinham o século 19 como cenário. Na primeira delas, A Moreninha, de 1976, Mário viveu o protagonista Augusto, que vivia o romance com a personagem de

Nivea Maria, Carolina, a moreninha, e se engajava nas lutas anti-escravagistas.
A liberdade dos escravos também era o objetivo de Henrique, seu personagem em Escrava Isaura, exibida depois de A Moreninha. A participação em novelas de época continuou com Nina, exibida em 1977 e 1978, A Sucessora, em 1978 e 1979, e Olhai os Lírios do Campo, em 1980. Depois, sua versatilidade foi posta à prova na comédia rasgada Feijão Maravilha, de 1979, em Coração Alado, de 1981, e Amor com Amor se Paga, de 1984.

 

 

Leia Também

A Marisa Monte que o público não vê

O olhar do bad boy

A guerra dos Mesquita

No tom de Chico César

O nosso doutor gene

Rei não paga indenização

Roberto Carlos homenageia Maria Rita

O sabor do sucesso

O charme da ex-lolita

O peso de ser ex-galã

Um novo maníaco?

Fernanda, a deusa expiatória

Sem papas na língua

David Uip, o médico celebridade

Corpos em evidência

Reduto para a gargalhada



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três