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Crime
Um
novo maníaco?
Série de mulheres estranguladas às margens de uma rodovia em Belo
Horizonte deixa a população aflita
Cesar
Guerrero, de Belo Horizonte (MG)
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Fotos:
Piti Reali - Reprodução
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| “Géssica
é a sementinha que minha filha deixou”, diz Maria Madalena da
Silva, a mãe de Cíntia (detalhe) |
Jacqueline
Salgado, 17 anos, secretária de um escritório de engenharia
no bairro da Pampulha. Luciana Dilly, 20, promotora de vendas, oferecia
produtos de um frigorífico para os clientes do supermercado
Bon Marché. Cíntia de Castro Silva, 23, balconista
de uma loja de materiais de construção. Nascidas em
Belo Horizonte, elas não se conheciam. Mas tiveram o mesmo
destino. As três foram encontradas mortas, com sinais de estrangulamento,
às margens do Anel Rodoviário, no bairro Caiçara,
na capital mineira. Os
corpos foram localizados em um raio de 800 metros.
Os
três crimes, assim como o desaparecimento da bancária
Elizabete Nogueira, da secretária Elizabeth de Souza Pinheiro
e da uma menina, Carla Emanuelle, de 11 anos, abalaram a tranqüilidade
dos moradores e tiraram o sono da polícia. Não
consigo dormir pensando nesse caso, afirma o delegado Edson
Moreira, chefe do Departamento de Crimes Contra a Vida. A suspeita
mais forte é de elas tenham sido vítimas de um mesmo
assassino, mas a polícia ainda não aposta todas as
fichas nesta conclusão. É cedo para afirmar
que existe um maníaco em Belo Horizonte, a exemplo do que
ocorreu em São Paulo, diz o delegado.
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| “Ela
estava feliz da vida com a reforma”, diz Carmelita Salgado,
a avó de Jacqueline (detalhe) |
O corpo
de Cíntia foi descoberto na segunda-feira 3, a oito metros
da pista do Anel Rodoviário, na reserva ecológica
da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A polícia
suspeita que a balconista foi estrangulada com o próprio
cinto que usava. Por causa da decomposição do corpo,
a perícia não conseguiu determinar se sofreu abuso
sexual. Ela estava desaparecida desde a quinta-feira 11 de maio.
Na
tarde daquele dia, a mãe Maria Madalena ouviu a voz da filha
pela última vez. Antes de sair do trabalho, telefonou para
dizer que iria à festa de aniversário da tia Lourdes.
Combinaram de ser ver no local. Cíntia não queria
que eu a esperasse. Disse que iria direto do trabalho, lembra
Madalena. Durante a comemoração, Madalena ficou aflita
com a demora da filha. Resolveu pedir ajuda, mas a polícia
não registrou o boletim de desaparecimento porque precisava
esperar o prazo de 48 horas.
Os
52 dias seguintes foram um pesadelo na vida de Madalena. Não
pensava mais em sua pequena barraca onde vendia coco gelado em frente
à Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Começou
a tomar tranqüilizantes. A situação piorou ainda
mais quando recebeu telefonemas pedindo resgate. A polícia
dizia que era trote, lembra Madalena. Em 11 de junho, recebeu
uma ligação diferente. Um homem de voz rouca indicou
com detalhes o local onde estava a bolsa de Cíntia. No dia
seguinte, pela manhã o homem ligou novamente. A bolsa
ainda está lá. Por que vocês ainda não
foram pegar?, questionou. Era verdade. A bolsa estava a 20
metros do corpo de Cíntia. Madalena ficou responsável
pela criação da neta, Géssica, três anos,
fruto de um namoro da filha. Ela é a sementinha que
minha filha deixou, diz Madalena.
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| “Ela
adorava fazer a lasanha aos domingos”, lembra Magmar Neiva Dilly,
mãe de Luciana (detalhe) |
ESTRANGULAMENTOS
Luciana Dilly, 20 anos, desapareceu no dia 16 de fevereiro. Naquela
quarta-feira, ela trabalhou o dia inteiro no supermercado Bon Marché,
que fica dentro do shopping center Del Rey. Seu corpo foi encontrado
cinco dias depois num terreno baldio a quinhentos metros do shopping.
Mais uma vez os legistas não conseguiram determinar o motivo
da morte, por causa da decomposição. Mas a polícia
suspeita que ela teria sido estrangulada com o cordão do
sapato.
Uma
semana depois do desaparecimento, os documentos da jovem foram encontrados
no banheiro masculino do shopping. É o caso que mais intriga
a polícia. A mecânica do crime é diferente,
argumenta o delegado Edson Moura. Luciana vivia há três
anos com o estudante de informática Tarcísio Aguilar,
de 22 anos. Eles começaram a namorar no Colégio Tiradentes,
onde estudavam. Luciana ficou grávida, casou e foi morar
com o marido na casa dos pais dele. Do romance, nasceu Fernanda
Dilly Aguilar, hoje com três anos. Nos finais de semana Luciana
visitava a mãe Magmar. Ela adorava fazer a lasanha
aos domingos, lembra Magmar. Minha filha cozinhava muito
bem.
A
última vítima de estrangulamento foi Jacqueline Salgado,
17 anos. Ela não voltou do trabalho na quarta-feira 17 de
maio. Naquela manhã, conversou com o pedreiro contratado
por ela para colocar o piso de cerâmica na casa em que vivia
com a avó Carmelita, 80 anos. Ela comprou também os
azulejos do banheiro da casa, que mesmo pronta há 20 anos
ainda não tinha acabamento. Não viu o serviço
ficar pronto. Ela estava feliz da vida com a reforma,
diz a avó. Na noite do crime, não foi à escola
por causa de uma greve de professores. Como chegaria mais cedo do
que de costume, sua avó não a esperou na beira do
Anel Rodoviário como fazia todos os dias. Foi encontrada
no dia 22 de maio na reserva ecológica que pertence à
UFMG. Foi estrangulada com a alça da própria bolsa.
O assassino cobriu o corpo com um plástico e colocou um pneu
em cima.
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