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Diplomacia
Sem
papas na língua
Filiada ao PT, mas indicada por FHC, a arquiteta Dulce Maria Pereira
é a primeira mulher a liderar a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa
André
Barreto
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Felipe
Barra
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“O
presidente sabe que eu gosto de produzir consenso”, diz Dulce,
que passou necessidades na infância e estudou nos EUA
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A arquiteta
Dulce Maria Pereira, 45 anos, não se agüenta de tanta felicidade.
No próximo dia 18, em Moçambique, no continente africano, ela será
empossada como secretária executiva da Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP). Um prêmio que cristalizou-se após a indicação
do presidente Fernando Henrique Cardoso. Filiada ao Partido dos
Trabalhadores (PT), ela é a primeira mulher escolhida para esse
cargo, com mandato de dois anos. “O presidente me escolheu, porque
sabe que eu gosto de produzir consenso”, acredita.
Nascida
em São José do Rio Preto, interior de São Paulo, casada e mãe de
dois filhos, a também presidente da Fundação Palmares, com sede
em Brasília, vai comandar um órgão que congrega sete países e tem
como principal objetivo zelar pela preservação e difusão da língua
portuguesa. “Cuidarei da direção política da instituição, ou seja,
discutirei as guerras, os transgênicos, o Mercosul e todas as questões
que afetem os países de língua portuguesa”, explica.
De
família humilde – o pai é enfermeiro e a mãe dona-de-casa – , Dulce
estudou em escola pública em São José do Rio Preto. Faltava dinheiro
até para comprar o uniforme escolar. De 1962 a 1968, a crise econômica
doméstica atingiu o momento mais crítico. “Comia macarrão todos
os dias, não tinha outra coisa”, relembra. Aos 17 anos, fez um concurso
para estudantes e ganhou uma bolsa de estudos nos Estados Unidos.
Lá, morou com uma família que apoiava o Partido Democrata. Nessa
época, começou a participar do movimento estudantil negro. Naquele
período, entrou em contato com membros do Congresso Nacional Africano,
onde mantém grandes amizades até hoje.
Um
ano depois, em 1973, retornou ao Brasil, para cursar arquitetura
na Universidade de Brasília, completamente engajada nos movimentos
sociais. Entre os momentos mais emocionantes de sua militância,
ela participou do comitê que organizou a primeira visita do líder
africano Nelson Mandela ao País, em 1989. Ao assumir a CPLP, Dulce
deixará a Fundação Palmares, onde está desde 1997, trabalhando com
a população remanescente dos quilombos. Nesse período, foram identificadas
724 comunidades, que abrigam aproximadamente dois milhões de pessoas.
“Vou continuar lutando também pela causa, mas de outra maneira.”
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