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Saúde
David
Uip, o médico celebridade
Clínico particular de Mário Covas, David Uip é o maior especialista
em aids do País, ganha cargo no governo e conta que atende estrelas
da tevê na madrugada
Neuza
Sanches
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Edu
Lopes
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“O
problema dos famosos é que eles se recusam a assumir a doença
em público”, diz o infectologista David Uip
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Há
dois anos o infectologista David Uip, 48 anos, tornou-se um dos
confidentes do governador paulista Mário Covas. Chega a dar palpites
tanto quanto a primeira-dama Lila Covas em assuntos importantes
da vida do tucano presidenciável. Agora, a confiança se estendeu
da troca semanal de telefonemas para um cargo estratégico no governo.
O médico particular de Covas passou a integrar o grupo “Livre Pensar”
de cooperação à pasta da Saúde. Sua função é discutir programas
da área. Pela empreitada, ele receberá R$ 1.000 por mês. “Vou gastar
sábados e domingos estudando os projetos”, diz Uip. “Valerá a pena.”
Uip
conquistou a amizade de Covas em dezembro de 1998, quando o governador
sofreu cirurgia para a retirada de dois tumores malignos. Para garantir
a sua vida, o atual presidente da subcomissão de infecção hospitalar
do Instituto do Coração (Incor) em São Paulo, montou uma verdadeira
“operação de guerra”, com mais de uma centena de profissionais entre
enfermeiras, cirurgiões, fisioterapeutas e farmacêuticos. “Até a
faxina foi dobrada”, conta Uip. “Não dou um passo sem ouvi-lo antes
sobre qualquer coisa relacionada à minha saúde”, afirma Mário Covas.
A recuperação
do governador fez com que ele ganhasse notoriedade fora da sua especialidade.
Mudou ainda a confiança nos médicos brasileiros. “Antes, a gente
dava um diagnóstico e as pessoas iam procurar médicos fora do País
para uma segunda opinião. Agora é o contrário”, diz Uip. Hoje, o
médico amealha clientes famosos do universo artístico, como o ator
Du Moscovis e o cantor e apresentador de tevê Fábio Jr, da política,
como a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e das finanças,
como o economista João Sayad. “O problema dos famosos é que eles
se recusam a assumir a doença em público”, diz.
A constatação
o obrigou a ter horários pouco comuns ao atendimento médico. Já
houve caso de artista marcar consulta depois das 24 horas, chegar
disfarçado com óculos escuros à noite e peruca loira. Uip é um colecionador
de histórias curiosas. Uma vez um gay o cantou no consultório. Perguntou
se ele já tinha experimentado sexo com um homem. “Foi um sufoco”,
conta Uip.
David
Uip é o maior especialista em aids no Brasil, pelo sucesso das pesquisas
realizadas na Casa da Aids, uma instituição que atende pelo SUS
mais de quatro mil pessoas por mês, onde hoje é diretor. É professor
livre-docente de infectologia pela Universidade de São Paulo e viaja
pelo menos duas vezes por ano para os Estados Unidos e Europa para
buscar as novidades da área em que atua.
Casado
há 22 anos com a socióloga Maria Teresa Tolomeo Uip, 41 anos, que
hoje auxilia o Fundo Social do governo paulista, ele tem três filhos
com idades entre 20 e 9 anos. Cultiva a vaidade proporcionalmente
ao seu currículo impecável. Há menos de um ano andava pelas ruas
da metrópole num Jaguar preto. Agora tem um modelo esportivo da
Toyota de cor cinza. No mesmo período, seus trajes diários envolviam
um manequim 48. O corpanzil de Uip chegou na casa dos 114 quilos
aglutinados no 1,86m de altura. Mas as duas horas de exercícios
matinais – iniciados às 5h30 da manhã – e a alimentação balanceada
aplainaram sua silhueta.
O
médico emagreceu 22 quilos e reduziu em dois números os figurinos
que se amontoam no guarda-roupa. “Fechei a boca e não deixo de fazer
exercício diário”, diz. A nova forma física o animou a ser uma espécie
de Raí, o craque do São Paulo, e passou a jogar futebol pelo menos
uma vez por semana como meio-campista no Esporte Clube Pinheiros.
A virada estética do infectologista não se limitou a esculpir um
novo corpo. Há um ano tinha um farto bigode: “Nunca é tarde para
mudar o visual”, diz.
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