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Dança
Corpos
em evidência
A criadora do espetáculo Aquilo de que Somos Feitos treina os bailarinos
para expressar sentimentos através de incríveis contorcionismos
Vivianne
Cohen
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Leandro
Pimentel
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A
coreógrafa Lia Rodrigues:
“Sabemos o preço do acém, mas
quanto vale o ser humano?”
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Numa
ampla sala, sem cadeiras nem palco, sete bailarinos passam por uma
experiência inédita em suas vidas desde quinta-feira
6, quando estreou o espetáculo Aquilo de que Somos Feitos,
no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio. No meio do
público, não é a música que os faz dançar.
É o silêncio sepulcral daqueles que, perturbados, os
assistem se apresentando nus. A autora da desconcertante coreografia
é a paulistana Lia Rodrigues, 44 anos.
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Tatiana
Altberg
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Com
corpos delineados e flexíveis, os bailarinos criaram formas
impressionantes
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O balé
não surpreende apenas pela nudez. O valor do ingresso também
chama a atenção: R$ 1,99. Mas este valor não
é para popularizar o espetáculo. Com ele, Lia pretende
questionar o valor do corpo humano. Só sabemos quanto
custa um quilo de patinho ou de acém. Quanto vale a carne
humana?, provoca a coreógrafa. O programa do espetáculo
também é inédito. Nele, Lia discrimina o salário
dos sete bailarinos, revela o valor do patrocínio da prefeitura
do Rio e os gastos com a montagem.
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Tatiana
Altberg
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Casada
pela segunda vez com o músico Zeca Assumpção,
Lia é conservadora na educação dos filhos:
Diana, de 17 anos, Luís, 14, e Inês, 12. Em sua casa,
ninguém anda nu. Sou tradicional, diz. A ex-bailarina,
que já conquistou o prêmio de melhor coreógrafa
em 1993, conferido pela Funarte, aposentava as sapatilhas temporariamente
a cada filho que nascia. Amamentei cada um por dois anos,
orgulha-se.
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