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Carreira

No tom de Chico César
Recuperado após golpe de empresários, o músico teve composição indicada para o Grammy e se diverte quando é confundido com mulher

Alessandra Nalio

Piti Reali
“Fui ver gelo pela primeira vez quando tinha cinco anos. Fiquei maravilhado segurando as pedras e de vez em quando dava uma lambida”

NO cantor e compositor Chico César, 36 anos, conquistou seu lugar na elite da MPB com o disco Cuscuz Clã, que trouxe o frescor da novidade ao panorama musical em 1996 e vendeu 250 mil cópias. Agora, o paraibano de Catolé do Rocha, queridinho de intérpretes como Elba Ramalho, Daniela Mercury e Maria Bethânia, quer experimentar de novo o sucesso com seu terceiro CD, Mama Mundi, repleto de músicas dançantes.

Chico viajou para a Europa há 20 dias e deverá continuar a turnê nos Estados Unidos e Canadá durante dois meses. Ele comemora o lançamento de sua primeira coletânea no mercado americano, pelo selo Puttomayo. Sua música “A Força Que Nunca Seca”, gravada por Maria Bethânia, foi indicada para disputar o prêmio de melhor canção brasileira para o Grammy latino. “Chico César é uma dessas alegrias que o Brasil me dá quando eu menos espero, com sua música intuitiva, franca, espontânea e singela”, elogia Maria Bethânia.

O músico aproveita a boa fase, depois de um período atrapalhado. Há dois anos foi vítima de um desfalque e só agora conseguiu se reerguer financeiramente. Seus ex-empresários, Luís Paulo Lucena e Marco Fectanes, da produtora M/São Paulo, deram-lhe um golpe de R$ 350 mil, e Chico quase perdeu a casa onde mora, no bairro de Perdizes, em São Paulo. Na época, o músico delegou a compra do imóvel à vista, mas os empresários financiaram o pagamento sem avisá-lo. Segundo Chico, a produtora estava desviando dinheiro de sua conta corrente. O músico teve que sair de casa provisoriamente, até conseguir pagar o imóvel.

DESCOBERTA DO GELO Caçula de sete irmãos, filho do agricultor Francisco, que também gosta de cantar, e da lavadeira Etelvina, Chico vive em São Paulo, desde que se formou em comunicação há 21 anos. Ouvia a música paulistana de Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção e trabalhava como jornalista até engrenar a carreira e gravar, com recursos próprios, o primeiro CD, Aos Vivos, em 1995. A influência intelectual foi do irmão Luiz Gonzaga da Silva, 50 anos, líder do Movimento dos Sem Teto Urbano, que deixou a Paraíba em 1973 e se envolveu com movimentos de resistência à ditadura. “Ele me mandava jornais de esquerda como O Trabalho, quando eu ainda vivia em Catolé. Meu irmão é uma das poucas pessoas que não quer o bem só para si. Ele pensa em todos e nunca desiste de uma causa”, Chico explica.

Entre as lembranças mais antigas do músico, está a de uma festa da família para comemorar a liberdade de Luiz, que fora preso por participar do movimento estudantil. “Eu tinha cinco anos e os amigos foram chegando. Alguém trouxe um balde com gelo. Foi a primeira vez que vi aquilo. Adorei, era uma delícia. Fiquei segurando uma pedrinha e lambendo o tempo todo”, ele conta. O irmão continua militando e, vez por outra, é preso. Mas nunca pediu nada a Chico. “Só lhe dei um jipe que comprei para aprender a dirigir. Quando o encontro, ele brinca: hoje seu jipe foi visitar o governador Mário Covas”, conta.

Chico César não ficou rico, mas viaja bastante, comprou uma casa para os pais e manda dinheiro todos os meses para que também possam viver com conforto. Desde que se separou de Tatá Fernandes, vocalista de sua banda composta por seis integrantes, diz estar sozinho e só namora de vez em quando. Sua atenção, neste momento, está mais voltada para o trabalho. “Estar sempre na crista da onda, fazendo programas de televisão e rádio pode até gerar muita ansiedade. Vou bem do meu jeito”, diz.

Sempre irreverente no look étnico, Chico nem pensa em abandonar sua marca registrada, o topete no meio de cabeça raspada. “Só vou mudar o corte quando tiver 60 anos. Quero que meus netos se divirtam com os meus cabelos malucos. Mas primeiro preciso ter filhos”, diz ele. A aparência do músico, que tem rosto redondo e se veste com roupas espalhafatosas, leva as pessoas, muitas vezes, a confundirem-no com mulher. Mas isso o diverte. “Nos vôos da Air France me chamam de mademoiselle”, diz Chico. “Parecer uma delas facilita a aproximação, elas não se sentem tão assediadas. A culpa é de minha mãe que fez cinco mulheres e não se aperfeiçoou em fazer homem machão”, brinca.

 

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