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Teatro

Reduto para a gargalhada
O ator, escritor e cronista Carlos Eduardo Novaes cria uma casa voltada só para espetáculos de humor

Luís Edmundo Araújo

Leandro Pimentel
“O Oscar de 1999 premiou duas comédias e as tevês estão cheias de humor ”, diz Novaes sobre a criação da Casa do Riso

Ele pensava em ser advogado. Formou-se em Direito na Universidade Federal da Bahia, mas fez mais sucesso por lá como dono de uma fábrica de sorvetes e idealizador de uma empresa ambulante de dedetização. Na volta ao Rio de Janeiro, o jornalista, escritor e autor teatral Carlos Eduardo Novaes, 59 anos, começou a traçar sua trajetória escrevendo crônicas e palpites bem humorados da loteria esportiva. Agora, depois de encerrar seu último espetáculo teatral, O Espermatozóide Careca 2, A Missão, há cinco anos, Novaes retorna aos palcos para dirigir a Casa do Riso, o primeiro teatro dedicado exclusivamente ao humor.

A originalidade do projeto combina com a carreira do escritor. “Estou sempre pulando para experimentar meus limites”, diz ele, que acumula no currículo uma passagem pela Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, entre 1990 e 1992, e atualmente preside a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat), entidade fundada por Chiquinha Gonzaga em 1917. Na Casa do Riso, que funciona no mesmo local da churrascaria Plataforma, no Leblon, Zona Sul carioca, Novaes não está subindo ao palco, pelo menos a princípio. Mas comanda uma programação que mescla os principais espetáculos de humor do País com palestras e seminários sobre o riso, além de concursos para revelar novos humoristas.

A idéia do projeto surgiu em junho do ano passado e, segundo Novaes, acompanhou a valorização que o humor vem ganhando nos últimos anos. “O Oscar de 1999 premiou duas comédias (A Vida É Bela e Shakespeare Apaixonado) como os melhores filmes, e as televisões estão cheias de humor na programação”, diz. O escritor acabou virando homem da noite ao assumir a direção da Casa do Riso, mas garante que vai parar por aí. “Não tenho nenhuma ambição em me tornar uma versão careca do Ricardo Amaral”, brinca.

De todas as profissões que teve, Novaes só não exerceu a advocacia. Carioca, o escritor chegou à Bahia com 17 anos, depois de ter sido aprovado num concurso para instrumentador de campo da Petrobrás. O ex-secretário trabalhava na refinaria de Mataripe (BA) e aproveitou para estudar Direito em Salvador. Precisando de dinheiro para pagar o aluguel que dividia com amigos, o escritor criou uma empresa de dedetização e, com um ajudante que carregava a bomba de inseticida, percorria as ruas da cidade à procura de trabalho. “Conheço a fundo a sociologia da barata”, afirma. A empresa acabou quando Novaes descobriu que o ajudante embolsava o dinheiro para comprar inseticida e fazia a dedetização com água e açúcar. “Ele alimentava as baratas.”

A amizade com um fabricante de refrigeradores gerou a fábrica de sorvete, que durou até o retorno de Novaes ao Rio, em 1970. Nessa época, Novaes passou a escrever os palpites da Loteria Esportiva e, mais tarde, crônicas de humor. “Ninguém nunca fez os 13 pontos com meus palpites, mas o pessoal se divertia”, lembra. A carreira de cronista foi interrompida com o convite do então prefeito Marcello Alencar para a Secretaria de Cultura do Rio. O escritor gostou da experiência, mas não repetiria a dose. “Conciliar cultura com burocracia é uma esquizofrenia. O País não prestigia o setor”, diz. Apesar das dificuldades, o escritor foi aprovado. Assim que saiu do cargo, um jornal carioca publicou uma pesquisa com artistas de várias áreas, que deram uma média 8,5 para a administração de Novaes. “Não conseguia isso nem no colégio.”

Autor de 30 livros e uma novela da Globo, Chega Mais, de 1980, o escritor voltou a fazer crônicas de humor, dessa vez voltadas para o mercado financeiro, num site do Banco do Brasil que entrou no ar no dia 1º de junho. Seguindo conselhos de amigas, Novaes adotou a condição de viúvo, apesar de já estar separado quando sua ex-mulher, Ana Lúcia Novaes, morreu há dez anos. O casal nunca acertou os papéis do divórcio e o escritor acabou virando viúvo, oficialmente. “Minhas amigas achavam que tinha um certo charme, e eu acabei cedendo”, conta. “Virei um viúvo alegre.”

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