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Polícia
O
canto dentro da gaiola
Acusada de abuso de menores, a cantora mexicana Gloria Trevi conquista
fãs no xadrez da Polícia Federal
André
Barreto
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Eraldo
Peres/Photo Agência
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Na
cela dividida com sua secretária, Maria Portillo, Gloria não
tem direito a um violão
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O ex-senador
Luiz Estevão, preso na sexta-feira 3 pela Polícia Federal e solto
no dia seguinte, não teve a mesma sorte que sua vizinha de cela,
a cantora mexicana Gloria de Los Ángeles Treviño Ruiz. Capturada
no Rio de Janeiro há sete meses pela Interpol e transferida para
a PF de Brasília, Gloria Trevi, como é conhecida, está em uma cela
de 20 metros quadrados, com chuveiro de água quente, pia e vaso
sanitário. Situação bem melhor do que a do ex-parlamentar, que dormiu
numa cela com direito apenas a banho frio e latrina.
Desde
que chegou a Brasília, para aguardar o julgamento de sua extradição
pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a cantora romântica, que virou
símbolo sexual em seu país, já conquistou uma legião de fãs na carceragem
da PF. Ela costuma cantar para os colegas do presídio. Mas não foi
atendida na única reivindicação feita às autoridades policiais:
um violão como companheiro de cela. O pedido foi recusado sob a
alegação de que as cordas do instrumento musical ofereciam perigo,
caso houvesse uma tentativa de suicídio.
Na
cela especial, Gloria Trevi está presa com sua secretária Maria
Raquenel Portillo. “Elas parecem ter um tratamento diferenciado,
mas o motivo é que são as únicas mulheres entre 30 presos”, explica
o delegado Rômulo Menezes. Gloria é acusada de abusar sexualmente
de menores, junto com sua secretária e seu empresário Sergio Sanchez.
O carisma da cantora garantiu a ela o sucesso até mesmo atrás das
grades. “Às vezes fica difícil conter a tietagem dos funcionários,
mas eles sabem qual é o limite”, garante o delegado. Pelo menos
nos próximos quatro meses, enquanto não sair decisão do STF, a rotina
de Gloria deverá ser a mesma: fazer três refeições ao dia, receber
uma ligação telefônica por semana dos pais, que vivem no México,
e cantar. Nem que seja dentro da gaiola.
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