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Drama
O
dia seguinte do conto de fadas
Marcelo Pereira, o garoto que ganhou roupas e doces de Gisele Bündchen,
fugiu de casa depois de brigar com a mãe que pensou que o filho
tinha roubado
Cesar
Guerrero
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Edu
Lopes
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Carlos
e Marcelo foram encontrados na Praça da Sé, na terça-feira
4, depois de sete dias desaparecidos
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—
Olha mãe, o que eu ganhei.
— O que é isso, meu filho.
— Eu ganhei tudo isso da modelo mais bonita do mundo.
— Onde estão as notas fiscais, meu filho? Você roubou essas coisas?
— Não, mãe. Eu ganhei da moça. Ela é muito rica e gostou de mim.
Eu vou pedir para ela me adotar e vou embora com ela para os Estados
Unidos, onde ninguém me chama de ladrão.
A discussão
caberia sob medida em algum roteiro de telenovela. Mas essas palavras
selaram o último diálogo entre Edilva Alves Pereira, 39 anos, e
seu filho Marcelo, 14, na terça-feira 27. O menino chegou ao barraco
de 15 metros quadrados na favela da avenida Zaki Narchi, na zona
norte de São Paulo, onde mora com a mãe e mais cinco irmãos.
Em
uma mão trazia uma sacola de roupas. Na outra, um pacote de guloseimas.
Horas antes, ele estava rindo e conversando com a gaúcha Gisele
Bündchen, a top model número um do mundo. O conjunto de moletom,
assim como o par de tênis e os pacotes de bolachas, balas e bombons
que carregava foram presentes da modelo brasileira. Depois da discussão
com a mãe, Marcelo voltou para a rua e só foi reencontrado no final
da tarde da terça-feira 3. “Ele nunca ficou mais de três dias longe
de mim”, diz Edilva. Nesses sete dias, a mãe o procurou por quase
toda a cidade e chegou a denunciar o seu desaparecimento ao S.O.S.
Criança, órgão do governo paulista que ampara menores carentes.
“A intenção da modelo foi boa, mas é melhor contribuir com alguma
instituição que trata dos menores do que dar dinheiro ou mercadorias
na mão deles”, afirma José Manoel de Souza Agrela, responsável pelo
setor de desaparecimentos do S.O.S Criança, em São Paulo.
Marcelo
e seu amigo Carlos Daniel Bonfim, 12 anos, conheceram a modelo,
na segunda-feira 26, durante a entrega de prêmios da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil, no Teatro Municipal, no centro velho
de São Paulo. Eles pediram dinheiro a Gisele por uma das janelas
do teatro. A modelo, que já faturou US$ 11 milhões no circuito da
moda, não carregava um tostão na sua carteira Givenchy, mas prometeu
voltar no dia seguinte com um videogame.
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Edu
Lopes
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Gisele
conheceu os garotos na segunda-feira 26. Marcelo chamou a
modelo pela janela do Teatro Municipal. Ela conversou com
os dois meninos
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O sonho
de consumo levou as crianças a ficarem de plantão na calçada de
uma loja vizinha ao teatro até a data do novo encontro. “Não queríamos
voltar para casa e correr o risco de perder o encontro”, diz Marcelo.
No dia seguinte, Gisele passou na C&A do Shopping Morumbi e comprou
dois conjuntos de moletom, duas cuecas e dois pares de tênis. Gastou
R$ 170 e seguiu para a praça Ramos de Azevedo, onde se encontravam
os meninos.
Lá,
a modelo decidiu levá-los a dar uma volta num Ômega preto, blindado.
Os garotos gostaram do que viram dentro do automóvel: bancos de
couro, vidros escuros e muitas luzes no painel. A euforia deles
chamou a atenção de Gisele Bündchen. “Ela não acreditou que a gente
nunca tinha andado de carro”, conta Marcelo. Pararam ainda no supermercado
Sé na avenida Liberdade, bairro central de São Paulo. “Comprem o
que quiserem”, disse Gisele. Os meninos encheram as mãos com doces
e biscoitos e voltaram correndo para o carro. A conta de R$ 50 foi
paga por Mônica Monteiro, empresária da modelo.
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