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Teatro
Filha
de Marília Pêra é ignorada pela Globo
Esperança Motta é dirigida em peça pela mãe, diz que já cansou de
pedir em vão para fazer testes na emissora e reclama que diretores
só olham a estética
Viviane
Rosalem
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Leandro
Pimentel
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“Sempre
precisei correr atrás de personagens na tevê”,
diz Esperança
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Aos
18 anos, Esperança Motta sentiu um frio na barriga quando
a mãe, a atriz Marília Pêra, a chamou para atuar
na peça Ciúme, em 1993. A adolescente já
atuara num espetáculo infantil cinco anos antes, mas naquele
trabalho seria dirigida pela primeira vez por quem considera um
monstro do teatro. O receio da menina, porém,
deu lugar à certeza de que ela seria atriz. Até então,
pensara em ser advogada ou jornalista.
Hoje, sete anos depois, Esperança repete a parceria com a
mãe no palco, em O Amigo Oculto, que acaba de estrear
no Teatro do Sesi, no Centro do Rio. Desta vez, sente-se mais segura
para opinar quando discorda de algum ponto de vista da mãe-diretora.
Sei que, por ser filha, ela tem um
cuidado especial comigo, mas é bastante exigente, diz.
Para a atriz, trabalhar com Marília Pêra é motivo
de orgulho. É igual a jogar bola com o Pelé,
quem não quer?, compara.
Mas o parentesco não lhe tem garantido bons papéis.
Sempre precisei correr atrás de personagens. Já
cansei de ligar para a Globo, me oferecendo para fazer testes,
conta a atriz, que atuou nos filmes Central do Brasil e O
Viajante e na novela Mandacaru, na extinta TV Manchete.
Ela amarga uma mágoa da tevê porque acredita que muitos
diretores só observam a aparência das novatas. Primeiro,
você tem que ser linda e magra. O talento vem depois,
critica. Mas o que quer é ser diretora de cinema. Amo
cinema. Para trabalhar, sirvo até cafezinho, diz Esperança,
que cursa o terceiro período de cinema na Faculdade Estácio
de Sá.
Esperança adotou o sobrenome do pai, o produtor musical Nelson
Motta, com quem morou dos 10 aos 22 anos quatro dos quais
em Nova York por achar que soava melhor do que o da mãe.
Se bem que, se eu pudesse, não usaria nenhum dos dois,
afirma. Em breve, a atriz se muda para um apartamento próprio
na Gávea, com a irmã caçula, Nina, 20 anos.
Ela também é irmã de Ricardo Graça Mello,
38 anos, e de Joana, 29 anos.
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