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Especial

O brilho da beleza que não vem do Sul
Sucesso nas passarelas e revistas estrangeiras, as modelos de outras regiões do Brasil desafiam a hegemonia das sulistas e arrasam no MorumbiFashion

Rodrigo Cardoso

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Na terça-feira 27, a modelo baiana Adriana Lima deu um beijo no namorado, o fotógrafo argentino Estevan Calcano, deixou o apartamento de dois quartos no bairro de East Village, em Nova York, e embarcou para São Paulo. Na bagagem, além da saudade do Brasil, trazia uma proposta do estilista Carlos Miéle, da grife M.Officer. No dia seguinte ela chegava para, em troca de R$ 19,2 mil, iniciar uma maratona de 16 desfiles na 9ª edição do MorumbiFashion. Mas acabou lucrando antes mesmo de pisar na passarela.

Por R$ 40 mil Adriana se tornou a nova garota propaganda da griffe e terá o rosto estampado nos outdoors a partir de setembro, como Gisele Bündchen há um ano e Ana Cláudia Michels há poucos meses. Com 19 anos e a carreira consolidada no exterior, a baiana aceitou a proposta com um objetivo em mente. “Como aconteceu com a Gisele (Bündchen) e a Ana Cláudia (Michels), a campanha me fará conhecida no meu país finalmente”, disse. Sua mágoa pela falta de reconhecimento nacional tem fundamento. Eli Hadid Wahbe, um dos donos da agência Mega, costuma dizer que as modelos morenas são iguais aos jogadores de futebol brasileiros: mais valorizados lá fora. “Como os clubes estrangeiros não querem saber se o Rivaldo veio de Recife, a modelo pode ser de qualquer região do Brasil que encontrará trabalho no exterior.”

Como a baiana Adriana, Caroline Ribeiro, 20, de Belém (PA), Raica de Oliveira, 16, de Niterói (RJ), Luciana Giani, 21, do Distrito Federal, Ana Beatriz Barros, 18, de Itabira (MG) e Patrícia Luvisoto, 17, de Botucatu (SP) não têm dificuldades para trabalhar em qualquer parte do planeta. Diferentemente da estética loira da gaúcha Gisele Bündchen, elas são os maiores expoentes da beleza morena que não veio do Sul do Brasil, fenômeno que hoje pontua o mundo da moda. Vieram na trilha da top model Fernanda Tavares, nascida em Natal (RN), e que há seis anos deixou o Nordeste para fazer sucesso no exterior. “O perfil tipicamente brasileiro da morena vive um momento fora do comum”, diz Liliana Gomes, coordenadora do concurso Dakota Elite Model Look. “Li uma reportagem numa revista americana que dizia: ‘A morena estonteante Gisele Bündchen.’ Se para eles Gisele é morena, bom para as meninas que não são do Sul. Elas encontram cada vez mais as portas abertas.”

A baiana Adriana brilha no exterior há quatro anos. Estilistas como Armani, Valentino e Ralph Lauren fazem parte de seu currículo. Ano passado, ela fez um ensaio de 52 páginas para o livro Weeked com a fotógrafa Hellen von Unwerth, uma das mais badaladas na moda mundial, e doou a renda do trabalho para projetos assistenciais da Bahia. Desde então Adriana caiu nas graças dos americanos e uma diária de fotos sua chega a custar US$ 10 mil. Perfis da baiana freqüentaram páginas de revistas como Extra e Whipple’s World e os programas de televisão nos Estados Unidos.

ARGENTINAS DO BRASIL Pouco antes de embarcar para o Brasil, Adriana fez um teste com um diretor de Hollywood, cujo nome se comprometeu a manter em sigilo até que saia o resultado. “As modelos brasileiras, hoje, podem tudo. Somos maiores do que a moda descobriu nos últimos tempos”, afirma. Liliana, da Elite, concorda: “Estão tão em alta que há argentinas se apresentando como brasileiras no exterior”.


E por que modelos das demais regiões só começaram a brilhar depois da explosão das sulistas? Várias desconheciam o seu potencial. “Mal sabia o que era moda ou modelo”, conta Adriana. Mas, na verdade, o caminho percorrido pelas garotas que não são nascidas no Sul, tradicional celeiro de modelos no País, é mais tortuoso. Liliana, da Elite, diz que as do Norte e Nordeste têm de começar quase sempre antes dos 16 anos: “A alimentação delas é forte e estraga a pele. Se esperarmos, o Sol resseca o cabelo e os dentes apresentam problemas”.

DITADURA DAS LOIRAS Patrícia Luvisoto, de Botucatu, interior de São Paulo, conta que passou a infância chupando cana-de-açúcar na fazenda do avô. “Também tinha dias que bebia duas latas de leite condensado. Me achava magra demais e queria engordar.” Filha de um cardiologista e uma professora de piano, Patrícia teve sorte. Seus dentes suportaram a “rebeldia” e, neste MorumbiFashion, ela veio de Nova York para receber R$ 9,8 mil por 14 desfiles. Há outras explicações para elas terem começado a brilhar mais tarde. Modelos do biótipo de Patrícia ou Adriana não encontrariam trabalho dez anos atrás porque a moda vivia uma ditadura de loiras de olhos azuis. Eli, da Mega, afirma que, naquela época, o padrão de beleza europeu foi garimpado primeiramente no Sul. “A história do mercado de modelos no Brasil se confunde com a dos bandeirantes. As agências foram desbravando o País, a começar pelo Sul e, depois, foram subindo”, ele conta. “Quando estava na agência Ford, lembro que chegamos no Nordeste só em 1992.”

O gaúcho Dilson Stein, instrutor de cursos de modelos em Ijuí (RS), duas vezes por ano freta um ônibus e traz suas alunas para serem apresentadas às agências, em São Paulo. Gisele Bündchen, certa vez, veio a São Paulo num ônibus de Dilson. Em 13 anos de profissão, ele conta que agora vem estudando convites para fazer o mesmo em Salvador e Vitória da Conquista (BA), em Recife (PE), em Maceió (AL) e em Brasília. Há algum tempo, a Elite faz pesquisas nessas regiões. “Sempre achávamos uma menina linda, de 1,78m, considerada a gostosa do bairro. O problema é que seu quadril chegava a 100 cm”, diz Liliana.

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