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Solidariedade
Mãe
dos pobres
A professora Maria Eulina viveu nas ruas por dois anos e hoje distribui
refeições e cursos gratuitos
Fábio
Bittencourt
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“Quem
puder paga e ajuda”, diz a professora, no castelinho da avenida
São João, onde doa 250 refeições diariamente
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Clayton
Sebastián Santos Duarte, 19 anos, quer ser soldado do Exército.
É uma maneira de esquecer seu passado. Durante sete anos,
dormiu embaixo de pontes e na porta de igrejas. Tentei me
suicidar várias vezes, conta. A peregrinação
de Clayton começou quando tinha 12 anos. Homossexual assumido,
estava cansado das surras que levava do pai em Rio Claro, interior
de São Paulo. Há cinco meses, ele bateu à porta
de uma mulher, que lhe disse para procurar ajuda no centro da cidade.
Foi assim que começou a reconstruir sua vida, recorda o jovem,
hoje envolvido com aulas de informática e inglês.
O idioma de William Shakespeare e as máquinas de Bill Gates
passaram a fazer parte do mundo de Clayton graças à
maranhense Maria Eulina Reis Silva Hilsenbeck, 49. Em 1993, ela
fundou o Clube de Mães do Brasil. O começo foi tímido,
mas agora ela orgulha-se de servir 250 refeições diariamente
no castelinho localizado na avenida Ipiranga, na capital paulista.
A comida é gratuita, assim como os cursos de artesanato e
a hospedagem no albergue, que abriga hoje 65 pessoas. Já
tiramos 506 pessoas da rua, garante. Uma das fontes de renda
do projeto são os cursos de inglês, espanhol e informática
para 900 alunos, sendo 300 bolsistas, que pagam mensalidades até
60% mais baratas do que o normal.
A obra social de Maria Eulina tem suas razões. Em 1971, ela
deixou São Luís, no Maranhão, disposta a trabalhar
na capital paulista. Saí de casa sem autorização
de meu pai, que era fazendeiro no interior do estado, recorda.
Com o tempo, suas economias esgotaram-se. Resultado: foi para debaixo
da ponte. Dois anos depois, encontrou uma mulher que lhe deu abrigo
e emprego em uma fábrica de laticínios. Um ano depois,
Maria Eulina casou-se com o diretor da empresa, o alemão
Alexander Maximillian Hilsenbeck, com quem teve três filhos.
Eu sofria porque não conseguia esquecer o que havia
passado nas ruas. No início da década de 80,
a professora começou a visitar periodicamente a periferia
de São Paulo. O marido não suportou e há três
anos os dois se separaram. Mas ela não se abateu. Acredita
que essa é sua missão. Meu trabalho tenta recuperar
a dignidade de quem vive na rua, diz.
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