CAPA
 ÍNDICE
 BASTIDORES
 ENTREVISTA
 URGENTE
 QUEM SOU EU?
 IMAGENS DA  SEMANA
 DIVERSÃO & ARTE
 MODA
 AGITO
 ACONTECEU
 TRIBUTO
 CELEBRIDADE
 TESTEMUNHAS DO  SÉCULO 
 EXCLUSIVAS
 INTERNET
 CLICK
 BUSCA

Esporte

Um baiano brigador
Kélson Santos, o principal sparring de Popó, já foi entregador de cosméticos e hoje é a esperança do boxe brasileiro nas Olimpíadas de Sydney, na Austrália

Fábio Bittencourt

F. Antonio
No início, ninguém acreditava no entregador de cosméticos Kélson Santos: “Eu era fraco e não agüentava levar porradas”

Kélson Carlos Santos era entregador de cosméticos e passava o dia rodando pela cidade de Salvador, a bordo de um Escort azul. Certo dia, chegou ao endereço indicado na nota fiscal e encontrou a porta aberta. Sem encontrar quem o atendesse, gritou: “Olha a entrega!”.
Uma voz feminina pediu que entrasse. Kélson acabou surpreendendo a freguesa só de calcinha. “Larguei tudo e saí correndo”, recorda. “Acho que a mulher confundiu minha voz com a do marido.”

Histórias como esta ficaram no passado. Há três anos, Kélson trocou o volante do Escort pelos ringues de boxe. Hoje, esse baiano de 23 anos se prepara para disputar os Jogos Olímpicos de Sydney, na Austrália.
Os adversários têm motivos para temê-lo. Em três anos como pugilista, Kélson sagrou-se bicampeão brasileiro na categoria meio-médio ligeiro (até 63,5 kg), conquistou um Sul-americano e uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Canadá, ano passado. No total, foram 78 lutas, com apenas duas derrotas na carreira.

BRIGAS DE GALO Antes de começar a lutar, Kélson entregava cosméticos vendidos por sua mãe, Hildete, que tinha uma pequena distribuidora. Desses tempos, guarda apenas a familiaridade com marcas de batons, esmaltes e cremes. Também manteve o gosto pela pesca submarina na praia da Barra, perto do famoso farol que leva o mesmo nome. De resto, leva uma vida voltada ao aprimoramento físico.


Às 6 horas da manhã, já pode ser visto se exercitando na praia. Volta para casa, na Fonte Nova, bairro de classe média baixa, e almoça com a mulher, Cláudia, e a filha Raiana, 5 anos. Sabe onde Kélson passa as tardes? Na praia da Barra outra vez, só que pescando. “Na água esqueço da vida”, diz. O dia só termina depois de duas horas e meia de treino técnico na Academia Champion, a mesma que revelou o superpena Acelino de Freitas, o Popó, maior boxeador profissional do Brasil na atualidade. “Treinar com o Popó é motivo de orgulho. Aprimora minha maneira de lutar”, diz Kélson.


Até subir num ringue, o que mais associava Kélson ao boxe era a paixão pelas brigas de galo, abandonada por falta de tempo. Convidado por um amigo, pisou na academia sem o menor jeito para a coisa. “Eu era fraco, não agüentava levar porradas.”

Kélson recebia R$ 2 mil por mês de dois patrocinadores, mas agora negocia contrato com o Vasco da Gama. O dinheiro seria maior se aceitasse convites para ser profissional. Mas ele garante que só vai pensar nisso depois dos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, de onde também quer trazer uma medalha. “Toda noite encosto a cabeça no travesseiro e não encontro explicação para tanta coisa que o boxe me trouxe.”

Leia Também

Na cola dos heróis olímpicos

Um baiano brigador

As lições da professora

Laços de família

As marcas de Renato Rocha

Vange abraça a causa gay

A rival de Gisele Bündchen

“O Ronaldo foi a pior coisa da minha vida”

Feitiço no arraial

O marketing da número 1

Guerreiro da Amazônia

Luciana e o bebê de US$ 35 mil

Mãe dos pobres

As marcas de Renato Rocha

O toque que machuca



| ISTOÉ ONLINE | ISTOÉ | DINHEIRO | PLANETA |ÁGUA NA BOCA |EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três