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Romance

Dois irmãos
Escritor mostra relação conflituosa entre irmãos gêmeos

Antonio Querino Neto

Mexendo com um tema no mínimo clássico e arquétipo – as rivalidades entre gêmeos – o amazonense Milton Hautoum instaura um clima no qual o jogo entre as identidades e
as diferenças constituem a motivação básica. A história de Dois Irmãos (Companhia das Letras, 266 págs., R$ 24), ambientada entre os anos 40 e 70, repleta de espelhos e outros símbolos que remetem a duplicidades e réplicas, fala de dois irmãos iguais fisicamente, mas completamente diferentes na personalidade. Yaqub e Omar levam uma vida marcada por ciúmes, traições e incesto. Um é tímido, inteligente e racional. O outro é boêmio, transgressivo e libertino.

Filho de uma empregada índia e de um dos gêmeos (sem saber qual), o narrador Nael vai juntando os cacos dispersos de seu passado distante entre Yaqub e Omar. A habilidade de Hatoum está em ir bem além de um óbvio drama sobre a dissolução familiar, marcado por uma previsível psicanálise superficial. Colocando sua narrativa
na ótica de um bastardo (daquele que está geneticamente à margem, portanto), o autor do premiado Relato de Um Certo Oriente, trabalha bem com os opostos representados pelos gêmeos, nunca “resolvendo” certa tensão interna do narrador, que pende ora para um lado, ora para o outro.

Simpático, em primeiro lugar, pela ordem representada por Yaqub, posteriormente o narrador acaba se identificando com Omar, de quem se julga filho. Lidando com várias contradições – onde não faltam as contradições “espaciais” entre uma Manaus central e outra periférica, bem como entre o Brasil do Norte versus o Brasil cosmopolita de São Paulo –, o autor vai além, recriando as várias oscilações de uma certa época entre progresso e atraso. Ele também expõe as facetas tão oponentes quanto inseparáveis da própria linguagem em si. Portadora da conservação da memória, ela também padece de uma intrínseca impossibilidade, pois, como diz o narrador: “Ninguém se liberta só com palavras”.

Bem resolvido

 

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